O que o presidente da Nicarágua disse sobre as eleições? – Opera Mundi

Compartilhe:


Em 19 de julho, durante as comemorações do 47º aniversário da Revolução Sandinista (que derrubou a ditadura de Somoza, apoiada pelos EUA, após mais de quatro décadas no poder), o presidente nicaraguense Daniel Ortega declarou que os partidos políticos apoiados pelos EUA “nunca mais” retornariam ao poder na Nicarágua.

“Não pensem que só porque não há guerra, estamos em paz”, disse o presidente. “Eles [a oposição apoiada pelos EUA] estão constantemente conspirando, se organizando, tentando descobrir como criar partidos para que, em uma eleição – uma eleição que eles deveriam realizar – esses partidos vençam. E esse é o fim da história dos partidos instalados pelos ianques, instalados pelos apoiadores de Somoza, voltando ao poder. Nunca, nunca, nunca.”

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.

Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular.


Siga!

Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal.


Sintonize!

Autoridades norte-americanas e a mídia ocidental afirmam que Ortega prometeu acabar com as eleições.
Seu discurso angariou apoio do movimento sandinista e duras críticas da oposição. No entanto, a resposta mais contundente provavelmente veio de fora da Nicarágua – dos Estados Unidos, país que impôs sanções à Nicarágua nos últimos anos.

As manchetes nos meios de comunicação dos EUA e do Ocidente estavam repletas de alegações de que Ortega havia acabado com a democracia, citando que o presidente teria dito “não haverá mais eleições”.

Mais lidas

A jornalista latino-americana Camila Escalante refuta essas alegações. Em uma publicação no X , ela afirmou que as declarações do líder sandinista “foram propositalmente tiradas de contexto e traduzidas erroneamente”.

A citação completa é a seguinte:

“Eles nunca mais verão uma eleição em que possam tentar tomar o poder fraudando as eleições. Vamos trabalhar com a Assembleia Nacional e as organizações relevantes em leis que criarão uma barreira contra os golpistas e os traidores, e não importa quanto dinheiro os ianques lhes deem, eles não terão sucesso”, disse Ortega diante de milhares de apoiadores.

No entanto, ecoando manchetes na grande mídia, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou por meio do X que seu país tomará medidas contra o governo Ortega: “O governo Trump e a comunidade internacional não ficarão de braços cruzados enquanto a ditadura de Murillo-Ortega intensifica a repressão interna e gera instabilidade que ameaça a segurança nacional dos EUA. A promessa de Ortega de abolir as eleições na Nicarágua demonstra sua covardia e seu medo da vontade do povo nicaraguense.”

Por sua vez, o Departamento de Estado dos EUA emitiu uma declaração dizendo: “Daniel Ortega e Rosario Murillo abandonaram até mesmo a pretensão de consentimento popular. O povo nicaraguense tem o direito de escolher seus próprios líderes por meio de eleições democráticas. Os Estados Unidos convocam a comunidade internacional a unir forças para demonstrar à ditadura de Murillo-Ortega que ela não pode esperar manter relações comerciais normais com outras nações enquanto frustra os princípios básicos de nossa democracia.”

A Nicarágua começa a implementar o anúncio de Ortega.

Algumas horas depois, a Assembleia Nacional da Nicarágua declarou em um comunicado oficial que iniciará os processos necessários para desenvolver um “Plano de Trabalho” para dar seguimento às diretrizes de Ortega.

“A Assembleia Nacional realizará sessões especiais com o Conselho Supremo Eleitoral para assegurar os trâmites constitucionais, legais e formais que sustentam as reformas do Estado e estabelecer caminhos que garantam os fundamentos jurídicos deste aspecto crucial da institucionalidade e apoiem as práticas políticas, democráticas, soberanas e livres dos nossos processos eleitorais nacionais e locais”, afirmou o legislativo em comunicado oficial.

Interferência estrangeira em eleições na América Latina e no Caribe

Os esforços da Nicarágua para mudar a infraestrutura legal em torno das eleições estão ocorrendo em um contexto regional mais amplo. Países de toda a região têm testemunhado repetidas alegações de interferência estrangeira, campanhas de desinformação e irregularidades eleitorais.

Gravações vazadas, conhecidas como “Hondurasgate“, expuseram discussões envolvendo altos funcionários hondurenhos, o ex-presidente Juan Orlando Hernández, aliados de Donald Trump, Javier Milei e outros atores regionais sobre esforços coordenados para minar governos progressistas na região, incluindo México e Colômbia, por meio de operações midiáticas e campanhas de desestabilização política.

Nos últimos anos, a região testemunhou uma sucessão de avanços da direita no Equador, Panamá, Chile, Honduras, Bolívia, Peru e, mais recentemente, na Colômbia. Analistas descreveram isso como uma nova “Maré de Raiva” – um ressurgimento coordenado da extrema-direita latino-americana, apoiada política e diplomaticamente por Washington e cada vez mais alinhada com redes conservadoras transnacionais que buscam reverter os avanços da Maré Rosa.

Após a apertada eleição presidencial na Colômbia, o presidente Gustavo Petro também questionou a legitimidade do resultado, citando supostas irregularidades e exigindo maior fiscalização da votação. Alegações semelhantes de fraude também cercaram a recente eleição em Honduras, onde críticos argumentaram que irregularidades na contagem dos votos e pressão política externa favoreceram a vitória da direita.

Dessa perspectiva, a decisão da Nicarágua de endurecer as restrições eleitorais aos partidos que recebem apoio estrangeiro pode ser vista não como uma rejeição sem precedentes da democracia, mas como uma resposta defensiva em um contexto de intervenção estrangeira contra governos progressistas em toda a América Latina.



Fonte: Opera Mundi

Outras Notícias

Domínio Global Consultoria Web