A ONU quer que os maus-tratos contra o brasileiro Thiago Ávila sejam investigados. Num comunicado emitido nesta quarta-feira, a entidade ainda pede que o ativista seja solto de forma imediata e que os responsáveis por violações sejam levados à Justiça.
Conforme o ICL Notícias já havia revelado na terça-feira com exclusividade, a pressão da ONU é para que Ávila seja solto, sem qualquer condição imposta.
O brasileiro liderava uma flotilha que tentava chegar até Gaza para a entrega de ajuda humanitária. No final da semana passada, a missão foi interceptada. Centenas de tripulantes foram desembarcados na ilha de Creta, na Grécia, e enviados a seus respectivos países. Já os líderes foram enviados para Israel. Além de Ávila, foi levado para Israel o ativista Sair Abukeshek, de nacionalidade espanhola.
O governo brasileiro falou em “sequestro” e pediu que Avila seja liberado imediatamente. Nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi às redes sociais cobrar a soltura do brasileiro e denunciar as ações de Israel.
A defesa do brasileiro apontou que a prisão de Ávila foi marcada por violência. De acordo com um comunicado, os ativistas permanecem em isolamento total, submetidos a iluminação intensa 24 horas por dia, em suas celas, e mantidos com os olhos vendados sempre que são transferidos, inclusive durante exames médicos.
“ Ambos os ativistas continuam sua greve de fome, consumindo apenas água desde a madrugada de quinta-feira, 30 de abril, em protesto contra seu sequestro e tratamento desumano”, anunciaram as advogadas de defesa.
Agora, o porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Thameen Al-Kheetan, afirmou:
Israel deve libertar imediata e incondicionalmente Saif Abukeshek e Thiago de Avila, membros da Flotilha Global Sumud, que foram detidos em águas internacionais e levados para Israel, onde continuam detidos sem acusação formal.
Não é crime demonstrar solidariedade e tentar levar ajuda humanitária à população palestina em Gaza, que necessita urgentemente dela.
Relatos perturbadores de maus-tratos severos infligidos a Abukeshek e de Avila devem ser investigados, e os responsáveis devem ser levados à justiça.
Exigimos o fim da detenção arbitrária por Israel e da legislação antiterrorista, ampla e vaga, incompatível com o direito internacional dos direitos humanos. Israel também deve pôr fim ao bloqueio a Gaza e permitir e facilitar a entrada de ajuda humanitária em quantidade suficiente na Faixa de Gaza sitiada.
Na terça-feira, o Tribunal de Magistrados de Ashkelon, em Israel, atendeu ao pedido das autoridades locais e prorrogou a detenção dos ativistas até domingo, 10 de maio de 2026, às 9h.
Um comunicado da defesa do brasileiro explicou que, até agora, nenhuma denúncia formal foi apresentada Ele está sendo interrogado, enquanto Israel insiste que sua atividade estaria relacionada com grupos terroristas. As advogadas do ativista rejeitam qualquer ligação com grupos radicais.
De acordo com as advogadas de defesa, o juiz Yaniv Ben-Haroush, do Tribunal de Magistrados, aprovou o pedido para a prorrogação da detenção, em parte com base em provas secretas que nem os ativistas nem seus advogados tiveram permissão para analisar.
“Crucialmente, o tribunal concedeu a prorrogação integral de seis dias solicitada pelo Estado, sem impor quaisquer limitações ou restrições judiciais ao período de interrogatório”, explicou.
Para as advogadas, “a decisão do tribunal de prorrogar a detenção de ativistas humanitários sequestrados em águas internacionais equivale à validação judicial da ilegalidade do Estado
Fonte: ICL Notícias


