A mais recente pesquisa nacional da consultoria Projection realizada na Argentina antes das eleições presidenciais de 2027 indicou que a rejeição à continuidade do mandatário de extrema direita Javier Milei no poder supera a de um eventual retorno do peronismo.
De acordo com uma matéria publicada pelo jornal argentino Página 12 nesta segunda-feira (27/07), o chamado “anti-voto”, ou seja, a disposição de um eleitor apoiar um candidato não preferido com o objetivo de impedir a vitória de outro, segue, desta forma, como “fator relevante no comportamento eleitoral do país”.
O levantamento foi realizado entre os dias 1º e 10 de julho, ouvindo, ao todo, 1.817 pessoas em território nacional. Os dados apontaram um cenário polarizado, com o eleitorado dividido entre quem prefere a continuidade da gestão atual de extrema direita e quem defende uma mudança governamental.
Segundo o estudo, 40,1% dos entrevistados afirmaram que estariam dispostos a votar em um candidato que não fosse de sua preferência apenas para impedir que Milei continue no cargo. Desse total, 24% disseram concordar “fortemente” com essa decisão, e 16,1% disseram apenas “concordar”.
A diferença entre as duas posições é de 2,6 pontos percentuais, o que representa uma vantagem do voto de oposição ao atual governo em relação ao voto contra o peronismo. Essa dinâmica já se manifestou em pleitos anteriores: em 2015, quando contribuiu para a eleição de Mauricio Macri e, em 2023, quando favoreceu a eleição de Milei.
Pesquisa nacional aponta que rejeição de eleitores à permanência de Javier Milei no poder supera anti-peronismo
Gage Skidmore/White House
O levantamento também investigou a preferência dos eleitores quanto à continuidade ou não da atual administração. Os que desejam que o governo ultradireitista de Milei permaneça compõem 20,3%, enquanto os que preferem que ele continue, mas com mudanças na equipe e nas políticas implementadas são 19,1%.
Já entre os que defendem uma mudança de governo, 37,8% disseram preferir uma administração vinculada ao peronismo, enquanto 13,7% optaram por uma alternativa fora desse espectro. Os 9,1% restantes afirmaram não saber qual opção escolher.
Os resultados foram divulgados dias após outra seção dessa mesma pesquisa, que apontou um empate técnico em um eventual segundo turno entre Milei e o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, além de um cenário competitivo para um primeiro turno do pleito presidencial.


