Produção de cogumelos em Gansu é exemplo de envolvimento de empresas na estratégia de revitalização rural da China

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Em 2021, a China lançou um programa para envolver as empresas no processo de Revitalização Rural, o “Dez Mil Empresas Revitalizando Dez Mil Vilarejos”, que, na verdade, é a continuidade do mesmo programa iniciado em 2015 e que envolveu empresas na política de erradicação da extrema pobreza.

O programa se adaptou para acompanhar a estratégia de revitalização rural, que visa consolidar as conquistas do combate à pobreza do período anterior.

Um exemplo do programa é a empresa de cogumelos “ecológicos” (ver definição abaixo) Naduoduo, que fica na região do planalto tibetano, em Gannan, na província de Gansu.

Pessoas que saíram de suas terras natais e se tornaram empreendedoras de sucesso fora estão entre os atores que o programa “Dez Mil Empresas” busca envolver. A empresária Zhang Naxin é uma delas. Natural de Longnan, interior de Gansu, ela passou uma temporada nos Estados Unidos, onde estudou, e voltou à província há quatro anos para fundar a Naduoduo.

“Acredito que a revitalização rural trouxe benefícios reais ao atrair investidores externos: gera mais oportunidades de emprego e garante melhor os meios de vida das pessoas”, conta Zhang ao Brasil de Fato.

Por meio de uma parceria com o Colégio de Agricultura de Tianjin (na região leste do país), a empresa desenvolveu 17 variedades de cogumelos adaptadas à altitude da Prefeitura Autônoma Tibetana de Gannan, que varia de 1.100 metros a 4.900 metros acima do nível do mar.

Zhang Naxin afirma que houve um processo de formação técnica para o cultivo de cogumelos comestíveis e “serviços de processamento primário” para cerca de 100 trabalhadores. Mais de 95% dos trabalhadores são mulheres, segundo dados da empresa.

Herança tibetana

A maioria da população de Zhuoni é tibetana, por isso é uma província autônoma dessa etnia. O turismo cultural que o condado vem desenvolvendo também se apoia no patrimônio imaterial dessas comunidades.

Teng Li Ping cita dois patrimônios imateriais de nível nacional: a Dança do Tambor Balang e a indumentária Sange Mao.

A guia Yu Cai Xia tem ascendência han e tibetana, o Escritório de Turismo de Zhuoni e costuma cantar músicas locais para os visitantes. Na cachoeira Fenda do Céu, no vale de Dayu, a reportagem pediu para Yu cantar uma música tradicional. Ela escolheu “Lindo Zhuoni”, uma música que celebra o condado onde vive. Ouça a canção no vídeo da reportagem:

Produção ecológica

O clima frio e úmido do planalto tibetano favorece o cultivo do cogumelo conhecido como orelha-de-judas. Por estar numa área de preservação ambiental, a produção precisa ser “ecológica”.

Na China, os produtos agrícolas recebem diferentes certificações. O termo “ecológico” usado pela Naduoduo se refere ao padrão Alimento Verde Nível A, que é mais rigoroso que o produto convencional, pois exige controle de qualidade e limite no uso de insumos, mas é menos exigente que a certificação orgânica, que proíbe totalmente o uso de agrotóxicos.

O processo, explica Zhang, usa sacos de substrato feitos de serragem e sabugo de milho, em condições que imitam o ambiente natural. Depois da colheita, os sacos são reciclados e viram pellets de biomassa, um biocombustível sólido em formato de pequenos cilindros, feito com resíduos vegetais compactados sob alta pressão. “Todo o processo de produção gera zero contaminação ambiental, por isso nossa produção não é afetada pelas regulamentações ambientais”, diz.

Indústria e turismo cultural

Em 2020, o condado de Zhuoni lançou o plano “Cinco Culturas de Dez Mil Mu” (pouco mais de 666 hectares), uma iniciativa que visa desenvolver em grande escala cinco produtos: cogumelos comestíveis, cevada, colza, ervas medicinais tibetanas e forragens. Para os cogumelos, a meta é manter a área plantada acima de 10 mil mu. Em 2024, o condado produziu 2.800 toneladas de cogumelos, no valor de 208 milhões de yuans (cerca de R$ 160 milhões), beneficiando 5.960 famílias, segundo o governo do condado.

O plano de desenvolvimento de Zhuoni tem nos cogumelos um de seus pilares, mas também aposta no turismo ecológico e cultural. Teng Li Ping, vice-presidente do Comitê de Arte e Literatura do Partido Comunista local, explicou ao Brasil de Fato que a aposta atual tem esses dois eixos: o fortalecimento da agricultura e pecuária e o turismo cultural.

A cevada, colza e cogumelos, com destaque para o orelha-de-judas, têm contribuído para o aumento da renda dos camponeses da região.

Do lado do turismo, a região conta com diversas áreas: o vale de Dayu, o Portão de Pedra dos Nove Céus, o Lago da Represa de Jiudian, o vale de Cheba, casas tibetanas centenárias e a Estrada Jiangdie, também conhecida como “a rodovia panorâmica de 100 quilômetros mais bonita da China”.





Fonte: Brasil de Fato

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