A Federação Italiana de Futebol anunciou nesta segunda-feira (27/07) que desistiu da contratação de Andrea Pirlo como novo técnico da seleção de futebol masculino do país.
A decisão causou polêmica, já que a chegada de Pirlo à Squadra Azzurra era dada como certa pela imprensa esportiva local há dias, e pelo fato de que a negociação foi desfeita após vir à tona o vínculo entre o treinador com a empresa de apostas russa Fonbet.
A relação entre Pirlo e a Fonbet não é um segredo: o contrato de patrocínio foi firmado em outubro de 2025 e desde então o treinador tem aparecido em propagandas e eventos promocionais da empresa – alguns deles realizados em Moscou, junto com outro famoso atleta italiano, o ex-zagueiro Marco Materazzi, figura chave no título italiano da Copa do Mundo de 2006, que também é contratado da bet russa.
Ademais, Pirlo trabalha atualmente como técnico do Dubai United – equipe que deixaria caso assinasse com a Federação Italiana. Apesar de ser um clube dos Emirados Árabes, seu dono é o bilionário russo Sergey Lomakin, que também está ligado à Fonbet.
Em mensagem publicada nas redes sociais após o anúncio da Federação, Pirlo disse lamentar a decisão, afirmando que “uma situação que até então era baseada em critérios esportivos foi rapidamente transformada em uma disputa pública, atribuindo a mim intenções e significados que não refletem minha pessoa”.
A declaração de Pirlo alude ao fato de que, em sua avaliação, a decisão foi tomada somente em função de sua patrocinadora ser uma empresa da Rússia, país considerado inimigo tanto pelo governo da Itália quanto pela União Europeia, especialmente a partir do início da guerra contra a Ucrânia, em 2022.
Tal observação se sustenta em declarações de alguns políticos italianos, como o senador Carlo Calenda, líder do partido Ação, de direita liberal, que afirmou em entrevista no último domingo (26/07) que “qualquer pessoa que esteja ou tenha feito campanha pela Rússia o para empresas russas a partir de 2022 nunca deveria ocupar um cargo público nacional”.
Itália e as apostas
Vale destacar, no entanto, que a legislação italiana também proíbe figuras ligadas ao universo esportivo do país de terem contratos de patrocínio ou parcerias comerciais com empresas de apostas.
Mais especificamente, o Artigo 24 do Código de Justiça Desportiva da Itália proíbe terminantemente que atletas e outros profissionais do esporte e envolvam com o mercado de apostas esportivas.
O técnico italiano Andrea Pirlo em propaganda da empresa russa Fonbet
Divulgação
Tal situação se explica pelo fato de que a Itália possui um histórico de escândalos ligados ao vínculo de federações e equipes esportivas (especialmente do futebol) com empresas de loterias e de apostas.
Os três episódios considerados como os mais emblemáticos nesse sentido são: o Caso Totonero, em 1980, que resultou na prisão de jogadores e punições severas a clubes como Milan e Lazio; o Caso Calciopoli, em 2006, que expôs um esquema de influência na escolha de árbitros para beneficiar clubes como Juventus, Milan, Lazio e Fiorentina; e o Caso Calcioscommesse, entre 2011 e 2012, também envolvendo manipulação de partidas para redes de apostas ilegais, mas não na primeira divisão, e sim nas ligas de acesso do futebol italiano.
Novo técnico
Nesta terça-feira (28/07), após desistir da contratação de Pirlo, a Federação Italiana apresentou oficialmente o novo técnico da seleção do país: Roberto Mancini, que reassume o cargo que ocupou entre 2018 e 2023.
Mancini foi o responsável pelo último título da seleção italiana masculina: a Eurocopa de 2020, mas acabou sendo demitido três anos depois após fracassar nas Eliminatórias para a Copa do Catar de 2022.



