Uma investigação da empresa espanhola de tecnologia Golden Owl concluiu que o fluxo de migrantes foi “uma operação organizada”. As autoridades agora buscam entender como esse rumor se espalhou e quem está por trás dele.
Na sexta-feira (07/08), a União Europeia pediu explicações à Meta e ao TikTok para obter mais informações. Segundo o bloco, redes sociais e grupos de WhatsApp vinham divulgando, há vários meses, informações e mapas destinados a facilitar a passagem para Ceuta.
Uma recente decisão da Suprema Corte da Espanha, apresentada de forma distorcida, pode ter agravado a situação. Segundo essa versão, qualquer migrante que chegasse à Espanha por via marítima teria seu pedido de asilo analisado.
Segundo Henna Virkkunen, comissária europeia para Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, “as plataformas devem agir de forma decisiva para preservar a integridade do espaço digital, especialmente em situações de crise”. “A vigilância deve ser reforçada e a cooperação com as agências de checagem de fatos precisa ser ampliada”, acrescentou.
O combate à desinformação já havia sido apontado como uma das prioridades durante a reunião de emergência dos ministros do Interior dos 27 países da União Europeia, realizada na terça (04/08) para discutir a crise em Ceuta. Um novo encontro entre representantes da União Europeia e das plataformas está previsto para esta segunda-feira (09/08).
Controle nas fronteiras
As autoridades espanholas começaram neste sábado (08/08) a realizar controles temporários nas fronteiras de portos e aeroportos para viajantes procedentes da Itália. A medida foi anunciada na sexta, em resposta às restrições semelhantes impostas por Roma após a chegada em massa de migrantes a Ceuta.
Os controles aéreos e marítimos entraram em vigor à meia-noite deste sábado e permanecerão até 7 de setembro. Segundo o Ministério do Interior da Espanha, as fiscalizações são realizadas “de forma aleatória”, com atenção especial aos passageiros de países de fora da União Europeia, para verificar o cumprimento das exigências previstas pelo Código de Fronteiras de Schengen.
Nos voos submetidos a controle, que não envolvem todas as aeronaves nem todos os passageiros, os agentes realizam as verificações na saída da ponte de embarque, sem interromper o fluxo de viajantes, acrescentou o ministério.
Cerca de 72 mil migrantes cruzaram, nos dias 30 e 31 de julho, a fronteira entre o Marrocos e o território espanhol de Ceuta, no norte da África. Pelo menos 70 mil já retornaram ao Marrocos. Segundo as autoridades espanholas, 80 pessoas morreram durante a travessia, principalmente por afogamento.
Mas associações marroquinas de defesa dos direitos humanos estimaram nesta sexta que pelo menos 141 pessoas morreram ao tentar chegar ao enclave, muitas delas a nado a partir do Marrocos. O número de vítimas ainda pode aumentar.
Espanha critica medida da Itália
O caso gerou reação de países da União Europeia favoráveis a uma linha mais rígida contra a imigração irregular e ao reforço das fronteiras externas do bloco, entre eles a Itália da primeira-ministra de extrema direita Giorgia Meloni.
O governo italiano afirmou na sexta-feira que “não tem, em nenhuma circunstância, a intenção de rever a decisão de suspender a aplicação do acordo de Schengen aos cidadãos de países terceiros que chegam da Espanha, ao menos até 15 de agosto”.
O governo espanhol criticou a medida italiana, classificando-a como “injusta, contrária aos interesses da União Europeia e discriminatória contra a população espanhola”. O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, comunicou neste sábado à União Europeia a decisão adotada pelo governo espanhol.
“As autoridades espanholas acompanham atentamente a evolução da situação migratória no Espaço Schengen e, em particular, a pressão migratória observada na rota do Mediterrâneo central, que afeta a Itália e produz efeitos sobre diferentes Estados-membros”, afirmou o ministro em comunicado.



