A AUSÊNCIA FEMININA NAS URNAS DE MARÍLIA: O CORONELISMO E O MACHISMO QUE ALIJAM MULHERES DO PROTAGONISMO POLÍTICO

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Marília caminha a passos largos para o obscurantismo da representatividade política. Nas disputas para os cargos de deputada estadual e deputada federal, a cidade assiste a uma lacuna imperdoável e a um retrocesso democrático: o alijamento de grandes nomes femininos do processo eleitoral. Em especial, destaca-se o impedimento imposto a duas figuras com alto potencial de articulação e liderança — Fabiana e Tássia Camarinha.

Independente das trajetórias de seus respectivos maridos e para além de simpatias ou rejeições por este ou aquele grupo político, o fato concreto é que ambas foram privadas de exercer um protagonismo ímpar e vital nas urnas. Um protagonismo que seria indispensável para oxigenar o debate público e amadurecer a política local.

A CRISTALEIRA DO CORONELISMO E O SILENCIAMENTO DA MULHER

O cenário vivido na política mariliense é o reflexo direto de uma estrutura arcaica e patriarcal que teima em persistir. O machismo estrutural e o coronelismo local continuam operando para subjugar a mulher, tratando lideranças femininas com condescendência e reduzindo-as a meras coadjuvantes.

Em vez de incentivar a disputa e o acesso aos espaços formais de poder, o sistema prefere trancar essas mulheres em uma espécie de “cristaleira social” — como se fossem louças raras, ornamentais e frágeis, que ali devem permanecer presas, admiradas à distância, mas estritamente impedidas de participar das grandes decisões. Impedidas de se candidatar, impedidas de disputar e impedidas de tentar se eleger.

O PREJUÍZO PARA A MATURIDADE DEMOCRÁTICA DA CIDADE

A ausência de candidatas femininas de peso e a interrupção da construção de lideranças como as de Fabiana e Tássia cobram um preço alto de toda a sociedade. A verdadeira maturidade política de um município não se constrói com a hegemonia masculina perpétua nem com o silenciamento das vozes femininas no parlamento.

Gostem ou não das correntes partidárias envolvidas, negar espaço de candidatura às mulheres é enfraquecer a própria democracia. Marília perde a chance de ter representantes ativas na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados, enquanto perpetua a ultrapassada lógica de que a política é um feudo exclusivo dos homens. A cidade precisa urgente romper as grades dessa cristaleira e entender que o lugar da mulher é onde ela escolher estar — inclusive no topo da disputa eleitoral.

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