O Brasil acorda, mais uma vez, com as mãos sujas de sangue e a alma dilacerada por mais um crime bárbaro que expõe a face mais cruel e covarde do machismo estrutural. O assassinato de uma jovem mulher de apenas 27 anos, em Pompéu, Minas Gerais, confessado pelo próprio marido, não é uma estatística isolada; é o grito sufocado de um país onde ser mulher é um fator de risco. O uso de um fio de extensão para estrangular a vítima, dentro do lar que deveria ser seu refúgio, é um detalhe sórdido que simboliza a “extensão” de um ódio irracional que nega à mulher o direito à vida e à dignidade.
A EXPLOSÃO DOS NÚMEROS E A IMPOTÊNCIA DA LEI
O feminicídio em Pompéu ocorre em meio a uma assustadora explosão de casos de violência contra a mulher em todo o território nacional. Diariamente, somos bombardeados por notícias de esposas, namoradas, cônjuges e parceiras de vida que têm suas vidas ceifadas por aqueles que prometeram amá-las e protegê-las. Diante desta tragédia anunciada, a pergunta que o Portal GPN faz é uma só: até quando a nossa legislação, por mais avançada que pareça no papel, continuará sendo impotente para conter a sanha assassina do ódio machista?
A Lei Maria da Penha e a tipificação do Feminicídio foram conquistas históricas, mas a realidade nos mostra que elas não são suficientes. O sistema de justiça, muitas vezes lento, burocrático e impregnado de preconceitos, falha em proteger as vítimas e em punir exemplarmente os agressores. Medidas protetivas que não saem do papel, falta de abrigos, investigação deficiente e penas que não correspondem à gravidade do crime são brechas por onde a impunidade e o medo se alimentam.
O ÓDIO QUE SE ALIMENTA DA CULTURA DA POSSE
O machismo que mata não nasce no momento do crime. Ele é cultivado diariamente em uma sociedade que ainda enxerga a mulher como propriedade do homem, que tolera a violência doméstica como “briga de casal” e que culpa a vítima por sua própria tragédia. O assassinato em Pompéu é o ápice de um ciclo de violência que começa com o controle, o ciúme possessivo, as ofensas verbais e as agressões psicológicas, até atingir o ponto de não retorno. O agressor, muitas vezes motivado pela não aceitação do fim de um relacionamento ou pela insubordinação da mulher, usa a violência como ferramenta para reafirmar sua “virilidade” e poder de posse.
UMA CONVOCATÓRIA À AÇÃO: O FEMINICÍDIO É UM PROBLEMA DE TODOS!
Nossa crítica não se dirige apenas ao Estado e ao sistema de justiça, mas a toda a sociedade. Não podemos mais aceitar o feminicídio como algo “natural” ou inevitável. É preciso romper o silêncio, denunciar os agressores, acolher as vítimas e educar nossas crianças e jovens para o respeito, a igualdade de gênero e a não violência. O feminicídio é um problema de todos nós. Cada vida ceifada é uma derrota para a nossa humanidade. Que o sacrifício desta jovem em Pompéu não seja em vão. Que ele nos mobilize para a luta incessante por um país onde nenhuma mulher tenha que temer por sua vida nas mãos daqueles que deveriam amá-la. A hora de agir é agora. O futuro de nossas filhas, mães e companheiras depende da nossa coragem e determinação.

fonte: https://g37.com.br


