DA REDAÇÃO DO PORTAL GPN
O jornalismo esportivo e a televisão brasileira amanheceram com um gosto amargo de ingratidão. A demissão de Chico Lang pela TV Gazeta, após mais de 30 anos de dedicação ininterrupta, não é apenas um movimento administrativo; é o retrato escarrado da desídia corporativa e do anacronismo de uma gestão que ignora o valor da experiência. Onde já se viu uma emissora, que tanto cresceu sob a voz e o carisma de um profissional, descartá-lo como uma peça de engrenagem velha apenas por ele ter completado 71 anos?
O que assistimos é o etarismo em sua forma mais perversa. Chico Lang não é apenas um comentarista; ele é uma instituição da Gazeta. Mas, para a cúpula da Avenida Paulista, parece que o conhecimento acumulado e a audiência fiel de décadas não valem nada diante do fetiche pela “renovação” vazia.
1. A FALTA DE SENSIBILIDADE DIANTE DA TRAGÉDIA HUMANA
Para além das câmeras, existe o ser humano. E Chico Lang atravessou um calvário pessoal que poucos suportariam.
- O Luto em Dobro: Em 2018, Chico perdeu um filho para o suicídio. Em 2019, o destino lhe deu outra rasteira brutal: o segundo filho morreu vítima de câncer.
- O Refúgio no Trabalho: Mesmo sob o peso dessas tragédias incomensuráveis, Chico nunca abandonou seu posto. O trabalho na Gazeta era, comprovadamente, sua âncora de sanidade e sua conexão com a vida.
- A Resposta da Emissora: Em vez de acolhimento e gratidão por quem deu o sangue pela casa nos momentos de maior dor, a Gazeta responde com o ostracismo da demissão. Onde está a responsabilidade social e a empatia das grandes empresas de mídia?
2. O ETARISMO E A BURRICE ESTRATÉGICA
Aos 71 anos, Chico Lang ainda é um “animal televisivo”. Ele entende o tempo do espectador, domina a polêmica saudável e gera engajamento — algo que muitos “influenciadores” de TikTok jamais alcançarão.
- Soberba Gerencial: Acreditar que a experiência pode ser substituída por algoritmos ou rostos “jovens” sem conteúdo é o messianismo do marketing moderno que ignora a alma do público.
- Audiência que não se compra: Chico tem um público cativo. Retirá-lo do ar é dar um tiro no pé da própria audiência, que se sente traída ao ver seu ídolo ser rifado sem o menor respeito à sua história.
3. ATENTAI, TELEVISÃO BRASILEIRA: O TALENTO NÃO TEM PRAZO DE VALIDADE
O Portal GPN bate o martelo: demitir Chico Lang nessas condições é uma prova de misoginia funcional contra a maturidade (o preconceito contra o idoso). É o negacionismo da história da própria TV Gazeta. Chico ainda daria muitos anos de bons índices de audiência e, acima de tudo, de dignidade ao jornalismo esportivo.
A política do descarte humano, onde o capital financeiro e o “corte de custos” valem mais que a vida e o legado de um profissional, é o que está destruindo a credibilidade da nossa mídia. A Gazeta perde sua alma, e Chico Lang, embora ferido pela ingratidão, sai maior do que entrou, carregando a dignidade de quem nunca se curvou ao etarismo.
💬 OPINIÃO & DEBATE: Você concorda que a TV Gazeta foi desumana ao demitir Chico Lang após tudo o que ele passou e representou? O talento e a experiência de um profissional de 71 anos deveriam ser mais valorizados pelas emissoras?
📌 GPN: Defendendo quem tem história contra a ditadura do descarte.


