A Artemis 2 partiu com sucesso da plataforma 39B, no Centro Espacial Kennedy, no começo da janela de lançamento desta quarta-feira (1º). Pela primeira vez desde 1972, quatro humanos estão a caminho da Lua. Agora, os próximos dez dias prometem momentos históricos.
A cápsula Orion, batizada pela tripulação de Integrity, foi impulsionada pelo superfoguete SLS (Space Launch System), desenvolvido pela Nasa especificamente para as missões lunares, que fez seu segundo voo e, mais uma vez, teve o desempenho esperado. O lançamento aconteceu às 19h35 (de Brasília, uma hora antes em Cabo Canaveral, Flórida).
A bordo estão os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense. A missão não prevê pouso lunar. “É o primeiro passo, uma missão de teste. Nunca houve humanos voando nesse sistema antes”, disse Jared Isaacman, administrador da NASA.
A tripulação inclui o primeiro negro (Glover), a primeira mulher (Koch) e o primeiro não americano (o canadense Hansen) a fazerem essa viagem. Mas eles não devem ser os últimos. A Nasa planeja aumentar a cadência de missões de espaço profundo, fazendo ao menos um lançamento do programa Artemis por ano.
Nos primeiros minutos de voo, o foguete foi descartando componentes em sequência. Com dois minutos de voo, os propulsores laterais se separaram a 13 quilômetros de altitude. Com três minutos, o sistema de escape da cápsula foi descartado a 48 km de altura. Aos oito minutos, já no espaço exterior, o estágio central do foguete se desprendeu a 153 km de altitude e 28.500 km/h.
Três horas e vinte minutos após a decolagem, o estágio superior também se separou, e a cápsula Orion ficou finalmente sozinha em órbita da Terra.

Dia 2 (2 de abril)
O segundo dia, nesta quinta-feira (2), promete a manobra mais importante da fase inicial. O motor principal da Orion será acionado para a chamada injeção transluna. A gravidade da Terra e da Lua guiará a cápsula em uma trajetória de retorno livre.
Dias 3 a 5 (3 a 5 de abril)
A tripulação seguirá em direção à Lua testando sistemas críticos de suporte de vida, comunicação e navegação fora do alcance de satélites terrestres. Os astronautas também praticarão procedimentos de emergência e manobras de pilotagem manual.
Dia 6 (6 de abril)
A expectativa é que a cápsula realize seu sobrevoo lunar e os astronautas se tornem os humanos a viajarem mais longe da Terra no dia 6, quando poderão ver partes jamais vistas do hemisfério afastado lunar (exceto em fotografias colhidas por sondas automatizadas). Eles estarão a mais de 400 mil km da Terra. O recorde atual de distância foi estabelecido pela missão Apollo 13 (400.171 km).
“Para os 45 minutos em que estaremos mais perto da superfície lunar, também estaremos fora de contato”, disse Victor Glover, piloto da missão. “Eu adoraria que o mundo inteiro pudesse estar torcendo e rezando para que a gente restabeleça o sinal.”
Os astronautas fotografarão e observarão regiões do lado oculto da Lua que nunca foram vistas por olhos humanos. A tripulação também tentará capturar novas imagens da chamada Ascensão da Terra, o planeta surgindo sobre a superfície lunar desolada.
Dias 7 a 9 (7 a 9 de abril)
Inicia-se a viagem de volta. A Orion não precisará de uma grande ignição de motor, já que a própria gravidade conduzirá a nave no trajeto de retorno. Durante esses dias, a tripulação seguirá com testes de navegação. Também serão realizadas pequenas manobras para ajuste de trajetória, preparando a cápsula para a reentrada na Terra.

Dia 10 (10 de abril)
O fim da missão está previsto para sexta-feira, 10 de abril. Nessa etapa, o módulo de serviço da Orion será descartado e se desintegrará ao entrar na atmosfera. A cápsula tripulada retornará a uma velocidade de aproximadamente 40.000 km/h, gerando um aquecimento de cerca de 1.650°C no escudo térmico.
Na sequência, os paraquedas serão abertos para reduzir a velocidade até o pouso no Oceano Pacífico, próximo à costa de San Diego, na Califórnia.
Fonte: ICL Notícias


