MARCO AURÉLIO ZAPAROLLi, CEO do Grupo Portal de Notícias: Portal GPN, Nossa TV e Jornal All Press
O episódio recente envolvendo ataques desproporcionais e cruéis a uma designer de renome internacional — responsável por um dos uniformes mais icônicos da nossa Seleção — não é um fato isolado. Ele é o sintoma de uma patologia social profunda: a misoginia. Diferente do machismo estrutural, que muitas vezes opera de forma velada, a misoginia é o ódio, o desprezo ou o preconceito arraigado contra mulheres, manifestado pela tentativa constante de desqualificar seu intelecto, sua competência e seu espaço na sociedade.
O CONTEXTO DO ÓDIO: ONDE O TALENTO VIRA ALVO
No mundo contemporâneo, a misoginia encontrou nas redes sociais um terreno fértil. Onde já se viu uma profissional atingir o topo de sua carreira em uma multinacional e ser “julgada” por tribunais de internet que não possuem um décimo de sua capacidade técnica?
O ataque ocorre porque a presença da mulher em postos de comando ou em áreas historicamente masculinas (como o design esportivo e o futebol) ainda causa um desconforto anacrônico em mentes paradas no século passado. A crítica deixa de ser sobre o “produto” e passa a ser sobre o “gênero”, tentando empurrar a mulher de volta para a invisibilidade.
A SOBERBA DO PRECONCEITO E O IMPACTO NA JUVENTUDE
A misoginia alimenta-se da soberba. Homens que se sentem donos da verdade e do espaço público tentam manter seus “privados” cercados, atacando qualquer mulher que ouse brilhar com luz própria.
- Ostracismo Social: Quando permitimos que esses ataques passem impunes, estamos dizendo para as jovens de Marília e do Brasil que o talento delas terá um “pedágio” de sofrimento.
- Desídia Coletiva: O silêncio da sociedade diante de comentários misóginos é uma forma de conivência. Onde já se viu aplaudir a inovação e calar-se diante da agressão a quem inovou?
COMBATE É QUESTÃO DE JUSTIÇA, NÃO DE OPINIÃO
Combater a misoginia não é uma escolha ideológica, é um dever ético e jurídico. O Direito moderno e a evolução das pautas de direitos humanos deixam claro: o preconceito de gênero é uma barreira para o desenvolvimento econômico e social de qualquer nação.
Enquanto a classe política e setores conservadores se perdem em alter-egos e na manutenção de privilégios sectários, a sociedade real — feita de mulheres trabalhadoras, estudantes e criativas — exige respeito. O Brasil que acolhe todo mundo e todos os gêneros e raças deve ser o primeiro a levantar a bandeira do respeito absoluto à competência feminina.
O FUTURO É PLURAL OU NÃO SERÁ
Não há espaço para a misoginia em uma democracia saudável. O sucesso da designer da Nike é o sucesso de todas as mulheres que lutam contra o anacronismo de um sistema que tenta diminuí-las.
Parabenizamos todas as mulheres que, apesar das pedras lançadas pelo ódio, continuam desenhando, governando, ensinando e transformando o mundo. O ódio dos medíocres é apenas o combustível para o brilho das audazes.


