ARTIGO|  O DESPERTAR NECESSÁRIO EM UM MUNDO DE “MITOS” E CURRAIS DIGITAIS, POR MARCO AURELIO ZAPAROLLI

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Marco Aurelio Zaparlli, jornalista, Observador do Mundo, colunista-sênior do Grupo Portal de Notícias

Vivemos em um mundo tão conectado, mas tão profundamente doente e exaust! Recentemente, o IJEP trouxe reflexões profundas através de Waldemar Magaldi, que servem como um bisturi para dissecar a nossa sociedade. Ao cruzarmos a Psicologia Analítica de Carl Jung com a crítica social moderna, percebemos que o brasileiro — e especialmente o morador das regiões mais ricas do país — vive em um estado de “sonambulismo produtivo”.


A SOCIEDADE DO DESEMPENHO E O SEQUESTRO DA SUBJETIVIDADE

Como bem pontuado na palestra, vivemos sob a ditadura do “Espírito da Época”. É o mundo do “Sim, eu posso”, da positividade tóxica e do desempenho ininterrupto. Onde já se viu o ser humano ser transformado em uma máquina de autoexploração?

O filósofo Byung-Chul Han, citado por Magaldi, alerta para a “Sociedade do Cansaço”. Nela, o indivíduo não precisa mais de um feitor externo para chicoteá-lo; ele mesmo se encarrega de se esgotar em nome de uma carreira, de um padrão de consumo ou de uma aprovação nas redes sociais. Esse cansaço não é apenas físico; é um esvaziamento do sentido. É a alma gritando através do burnout, da depressão e do pânico: “Eu não pertenço a este circo!”

O “MITO” QUE CEGA E A SOMBRA QUE DEVORA

Aqui se faz a ponte necessária: essa exaustão psíquica é o terreno fértil para a alienação política. O indivíduo exausto não tem energia para a reflexão crítica. Ele busca o caminho mais fácil: a entrega de sua vontade a um “salvador”, a um “mito” ou a uma ideologia de extrema-direita que promete ordem em meio ao seu caos interno.

Jung nos ensina que o que não é integrado à consciência retorna como “destino” ou “sintoma”. O ódio político que vemos hoje, o negacionismo que ignora a ciência e o apego a figuras autoritárias são, na verdade, projeções de nossas próprias sombras. Projetamos no “inimigo político” tudo o que não suportamos em nós mesmos. Enquanto não encararmos nossa própria “caverna”, seremos marionetes de algoritmos que lucram com a nossa polarização.

DO GETSÊMANI AO DESPERTAR COLETIVO

A palestra de Magaldi fala sobre o “Preço do Despertar”. Individuar-se — ou seja, tornar-se um ser inteiro e autêntico — exige coragem para abandonar o rebanho. É o momento do “Getsêmani Íntimo”, onde a dúvida nos assalta.

Mas o despertar não pode ser um ato egoísta. Como lembra Ailton Krenak, o sentido da vida está no pertencimento, na teia que nos une. Onde já se viu um despertar que ignore a dor do vizinho? A verdadeira saúde psíquica nos leva de volta ao serviço. Se o seu “despertar” te faz odiar minorias, ignorar a fila da saúde ou aplaudir a injustiça, você não despertou; você apenas trocou de sonho.


A CURA COMEÇA PELO REAL!

É um escárnio que tenhamos tanto acesso à informação e ainda escolhamos a cegueira! Onde já se viu um povo que prefere o conforto da mentira à dor da verdade? O artigo de hoje é um chamado: pare de se autoexplorar para sustentar uma imagem que não é sua.

A cura da sociedade não virá de um palanque, mas do resgate da consciência individual. Enquanto formos “sujeitos de desempenho” escravizados pelo Espírito da Época, seremos massa de manobra. A individuação é o maior ato de rebeldia contra um sistema que te quer cansado, burro e obediente. Acorde para as suas profundezas, antes que a sua sombra decida o seu futuro nas urnas e na vida!


ADIAR O FIM DO MUNDO COMEÇA AGORA

  • Menos Performance, Mais Sentido: O seu valor não é o seu PIB pessoal.
  • Integre sua Sombra: Antes de apontar o dedo, olhe para o espelho.
  • Pertença: Somos uma teia. Ninguém se cura sozinho em uma sociedade doente.

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