MARCO AURÉLIO ZAPAROLLI, Colunista-Sênior do Grupo Portal de Notícias [ Portal GPN, Nossa TV e Jornal All Press]
Em tempos marcados por pressa, polarização e reações impulsivas, a tolerância deixou de ser apenas uma virtude desejável — tornou-se uma necessidade urgente. Viver em sociedade exige mais do que conviver; exige compreender, acolher e, sobretudo, respeitar o outro em sua complexidade.
Ser tolerante não significa concordar com tudo. Significa, antes de tudo, exercitar a capacidade de se colocar no lugar do outro. É olhar além da superfície, tentar entender as dores, as limitações, as histórias que cada pessoa carrega. Muitas vezes, o comportamento que julgamos é apenas reflexo de uma vivência que desconhecemos.
A empatia, nesse contexto, é ferramenta essencial. Quando conseguimos enxergar o mundo a partir da perspectiva alheia, o julgamento dá lugar à compreensão. E é nesse espaço que nasce o diálogo verdadeiro — não aquele que busca vencer, mas o que busca entender.
As turbulências do mundo moderno, com seus conflitos constantes e tensões sociais, não podem ser justificativa para o endurecimento das relações humanas. Pelo contrário: quanto mais caótico o ambiente, maior deve ser o esforço para preservar a solidariedade e o respeito.
Evitar discussões desnecessárias, controlar impulsos e agir com temperança são atitudes que demonstram maturidade emocional. Inflar conflitos nunca constrói pontes — apenas aprofunda distâncias. Conciliar, por outro lado, exige força, equilíbrio e sabedoria.
Também é preciso reconhecer que nem todos estão no mesmo nível de compreensão da vida. Há aqueles que agem com rudeza, que não desenvolveram sensibilidade ou reflexão. Diante disso, cabe a escolha: reagir na mesma medida ou manter a própria integridade.
Tolerar não é se submeter, nem abrir mão de valores. É sustentar princípios com firmeza, mas sem impor, sem agredir, sem tentar forçar o outro a pensar igual. Cada pessoa tem seu tempo, seu caminho, sua forma de enxergar o mundo.
A verdadeira grandeza está em permanecer fiel a si mesmo sem perder a capacidade de acolher o diferente.
No fim, ser tolerante é um exercício diário de humanidade. É escolher o diálogo em vez do confronto, a compreensão em vez do julgamento, a verdade em vez da conveniência.
E, acima de tudo, é lembrar que, por trás de cada opinião, existe uma pessoa — com suas dores, suas limitações e sua própria história.


