Por Nathalia Garcia
(Folhapress) – O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu por unanimidade, nesta quarta-feira (16), reduzir pela quinta vez seguida a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, na última reunião antes das eleições presidenciais.
No comunicado, o colegiado do Banco Central evitou antecipar seus próximos passos e repetiu que, devido aos riscos associados à evolução dos preços, o tamanho total do ciclo de queda de juros será definido “à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta.”
Os juros estão no menor patamar desde março de 2025, quando estavam em 13,25% ao ano. Desde o início do recuo da Selic, em março, foram cinco cortes consecutivos de mesma intensidade (0,25 ponto), com queda acumulada de 1,25 ponto percentual.
Esse é um dos ciclos mais suaves de redução de juros feito pelo Banco Central desde a criação do sistema de metas para a inflação, em 1999. O processo vem sendo chamado de “calibração” pelo colegiado em sua comunicação.
O comitê voltou a fazer um comunicado mais sintético depois dos ruídos provocados em junho e não trouxe grandes novidades no texto.
A decisão do Copom veio em linha com a projeção consensual do mercado financeiro. Levantamento feito pela Bloomberg mostrou que os 33 analistas consultados esperavam outro corte de 0,25 ponto percentual na Selic.
Na chamada “superquarta”, Brasil e Estados Unidos fizeram movimentos opostos na condução dos juros. Mais cedo, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) subiu a taxa em 0,25 ponto percentual, para o intervalo de 3,75% a 4%, na primeira alta desde julho de 2023.
Com isso, a diferença entre os juros dos dois países caiu para 9,75 pontos percentuais, o que pode contribuir para a fuga de investidores do Brasil e pressionar o câmbio.
Inflação e atividade econômica
Enquanto o cenário externo permanece desafiador, principalmente pela guerra no Irã, o ambiente doméstico evoluiu de maneira favorável ao BC. Fatores como recuo da inflação corrente e desaceleração da atividade econômica pesaram na decisão do Copom de seguir cortando os juros.
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desacelerou para 4,22% no acumulado de 12 meses até agosto, puxado pela queda da conta de luz sob impacto temporário do bônus de Itaipu. Assim, a inflação permaneceu pelo segundo mês consecutivo abaixo do teto da meta perseguida pelo BC.
O alvo central do BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No modelo de meta contínua, em vigor atualmente, o objetivo é considerado descumprido pela autoridade monetária quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora do intervalo, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).
No cenário de referência do Copom, a estimativa de inflação subiu de 5,1% para 5,2% para este ano e de 3,8% para 3,9% para 2027. A expectativa para o primeiro trimestre de 2028 se manteve em 3,2%.
Devido aos efeitos defasados da política de juros sobre a economia, o BC já tem março de 2028 na mira. Nessa margem de tempo, as expectativas de inflação seguem distantes da meta. Conforme os dados do último boletim Focus, as projeções dos economistas para o IPCA de 2027 e 2028 estão em 4,3% e 3,8%, respectivamente.
Quanto ao fôlego da atividade econômica, os indicadores recentes reforçaram a percepção de que os juros elevados estão afetando o dinamismo da economia brasileira.
Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o PIB (Produto Interno Bruto) desacelerou no Brasil no segundo trimestre, com avanço de 0,5% na comparação com os três meses imediatamente anteriores. O recuo da taxa que mede o consumo das famílias puxou o indicador para baixo. O resultado veio após alta de 1,1% no primeiro trimestre.
O Copom volta a se reunir nos dias 3 e 4 de novembro, quando já será conhecido o resultado das eleições presidenciais. Seis das oito reuniões do ano foram realizadas com quórum reduzido, com desfalque de dois diretores do BC.
Fonte: ICL Notícias


