Num discurso nesta quarta-feira na ONU, o governo brasileiro expressou “solidariedade” aos países do Golfo atacados pelo Irã. Mas mandou um recado velado aos americanos e israelenses, deixando claro que foram os iranianos que primeiro foram bombardeados, há quase um mês.
O discurso do representante do Itamaraty foi feito durante a reunião de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU, convocado depois que Catar, Emirados Árabes e outros países da região fizeram um apelo por uma reação da comunidade internacional contra Teerã.
Ainda hoje, uma resolução condenando o Irã será votada e, durante o encontro, países europeus e vários outros criticaram a postura de Teerã em seus ataques contra os países da região.
Ao lado de Espanha, África do Sul, China e outros governos, o Brasil adotou um tom diferente. “O governo brasileiro expressa sua profunda preocupação com a situação dos direitos humanos na região, em decorrência da escalada das hostilidades no Golfo Pérsico e no Oriente Médio em geral, iniciada pela agressão contra o Irã em 28 de fevereiro”, afirmou o embaixador brasileiro na ONU, Tovar da Silva Nunes.
Em seu discurso, ele pediu que “todas as partes, sem exceção, a respeitarem o direito internacional, incluindo o direito internacional dos direitos humanos, o direito internacional humanitário e a Carta das Nações Unidas”.
“É imperativo que todos os atores implementem medidas eficazes para garantir a proteção absoluta de civis e infraestruturas civis”, afirmou.
“O Brasil manifesta sua solidariedade à Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait, Omã e Jordânia, bem como a todos os demais países afetados pelas hostilidades em curso no Oriente Médio”, disse.
Crimes de guerra
Mas o Brasil também sinalizou para a necessidade de uma investigação sobre os crimes cometidos até agora, numa alusão às mortes de crianças também no Irã.
“Instamos todas as partes a realizarem investigações imediatas, minuciosas e independentes sobre as alegadas violações dos direitos humanos e do direito humanitário, incluindo potenciais crimes de guerra, para garantir a plena responsabilização”, disse o embaixador.
O governo brasileiro ainda criticou as sanções adotadas contra o Irã e denunciou “as medidas coercitivas unilaterais violam o direito internacional, afetam o gozo dos direitos humanos pela população mais vulnerável e minam o sistema multilateral”.
“Em conclusão, o Brasil apela para negociações de boa-fé, fundamentadas no respeito à soberania e ao direito à autodeterminação. Exigimos um cessar-fogo imediato nesses conflitos regionais, que permita a criação das condições necessárias para uma solução diplomática que assegure uma paz duradoura”, completou.
Fonte: ICL Notícias


