O Impacto das Pautas de Extrema Direita na Vida e nos Direitos das Mulheres.
A ascensão e a consolidação de projetos políticos alinhados à extrema direita reabrem debates profundos sobre as garantias institucionais e a proteção social das mulheres. Sob a bandeira do conservadorismo e do liberalismo econômico irrestrito, a linha de ação dessas correntes impõe transformações diretas na segurança, nos direitos trabalhistas, na autonomia sobre o próprio corpo e nas políticas de combate às violências de gênero.
A Sombra do Armamento: Facilitação de Armas e Impacto na Violência Doméstica
Um dos pilares do discurso da extrema direita é a flexibilização do acesso a armas de fogo, frequentemente associada à expansão dos registros de CACs (Caçadores, Atiradores e Colecionadores).
- Dentre as Implicações Diretas: Diversos estudos de segurança pública apontam que a presença de uma arma de fogo em casa aumenta significativamente o risco de feminicídios em contextos de violência doméstica. Críticos apontam que o fácil acesso a armamentos transforma divergências familiares em episódios fatais, funcionando na prática como uma licença velada para a escalada da violência exercida por homens contra suas companheiras.
- Insegurança no Lar: A proliferação de armas enfraquece a eficácia de medidas protetivas de urgência, já que a presença do armamento no ambiente domiciliar impõe um fator de intimidação e risco contínuo à integridade física de mulheres e dependentes.
O Combate às Leis Protegidas e a Luta pelo Reconhecimento do Feminicídio
Outro ponto central na pauta ultraconservadora é a contestação de mecanismos jurídicos construídos para mitigar as desigualdades de gênero e conter a violência endêmica:
- Desconstrução de Tipificações: Setores da extrema direita — inclusive figuras e parlamentares femininas alinhadas a esse campo político — defendem a alteração ou até a extinção da tipificação do feminicídio como qualificador do homicídio. Sob o argumento de uma suposta “igualdade perante a lei”, nega-se a motivação de gênero nos assassinatos de mulheres, invisibilizando o machismo estrutural e desestruturando redes de acolhimento especializado.
- Preconceitos e Transfobia: O rechaço a debates sobre identidade de gênero e diversidade resulta no isolamento de mulheres trans, minando o acesso a serviços públicos de saúde e segurança e aumentando a vulnerabilidade desse segmento à violência e à discriminação institucional.
Impactos Sociais, Econômicos e Direitos Reprodutivos
A visão de mundo da extrema direita reflete-se diretamente nas políticas públicas e no papel atribuído à mulher na sociedade:
- Autonomia e Direitos Reprodutivos: Há uma constante investida para restringir ou proibir o acesso ao aborto legal, mesmo nos casos já assegurados por lei (como estupro ou risco à vida da mãe), sobrecarregando ainda mais as vítimas de violência sexual.
- Redução da Rede de Proteção Social: Propostas de corte de gastos e flexibilização de leis trabalhistas tendem a afetar desproporcionalmente as mulheres, que ocupam a maior parte dos postos informais e dependem diretamente de serviços de creche, saúde pública e órgãos de apoio especializado (como Delegacias da Mulher e Casas-Abrigo).
A prevalência de pautas que minimizam a violência de gênero e priorizam o armamento individual desenha um cenário de crescentes desafios para a preservação das conquistas históricas das mulheres e para o fortalecimento da democracia.


