Chanceler argentino defende ‘mudança ideológica’ no Brasil em meio à crise diplomática – Opera Mundi

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O chanceler argentino, Pablo Quirno, afirmou nesta quarta-feira (05/08) esperar que o Brasil passe a integrar a “onda conservadora” que avança pela América do Sul. 

A declaração ocorre um dia após o governo brasileiro rebaixar as relações diplomáticas com Buenos Aires. O país decidiu manter a representação bilateral apenas no nível de encarregado de negócios enquanto persistirem os ataques do presidente Javier Milei às instituições brasileiras.

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A fala de Quirino vem a público em mais um ato da intensificação da crise diplomática entre Brasil e Argentina, iniciada com a última visita de Javier Milei ao país para participar da convenção de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.

Em entrevista coletiva, Quirno afirmou que “a região está mudando sua direção ideológica” e disse esperar que “aconteça o mesmo no Brasil”. O chanceler disse que o presidente argentino tem sido o responsável pela construção de um bloco de governos alinhados à ultradireita na América Latina e confirmou, ainda, que Milei pretende convocar uma reunião de líderes conservadores em Buenos Aires.

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A participação de Milei na convenção do PL não foi sua primeira presença em eventos promovidos por lideranças da direita brasileira. Em julho de 2024, o presidente argentino fez sua primeira visita oficial ao Brasil para participar da edição nacional da Conservative Political Action Conference (CPAC), realizada em Balneário Camboriú (SC), onde dividiu o palco com Jair Bolsonaro.

Quirno também afirmou que a decisão brasileira foi unilateral e disse lamentar o rebaixamento das relações diplomáticas. Segundo o chanceler, “houve manifestações de ambos os lados que revelam essas diferenças políticas e ideológicas”, mas a Argentina optou por não levar essas divergências “à arena diplomática”. “Infelizmente, o Brasil tem todo o direito de decidir o que decidiu. Lamentamos isso porque entendemos que há outra maneira de preservar as relações entre nossos países”, declarou.

Interferência estadunidense na região

Na última terça-feira (04/06), o Brasil dispensou o embaixador argentino em Brasília, Guillermo Daniel Raimondi. O Itamaraty também anunciou que o homólogo brasileiro brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, não retornará ao posto, mantendo a relação bilateral em nível reduzido.

O endurecimento da posição brasileira em relação à Argentina acontece em um momento de atritos diplomáticos também com os Estados Unidos, após ameaças de interferência do país no processo eleitoral brasileiro.

A política externa estadunidense do país tem sido capiteneada por Marco Rubio, descendente de cubanos que tem como uma das bandeiras a ampliação da influência conservadora na região.

Na véspera, o governo Donald Trump revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, alegando como justificativa a demora do Brasil em autorizar a indicação do conservador Daniel Perez para a embaixada norte-americana em Brasília.

Nesta quarta-feira, Lula classificou a decisão como uma “atitude irresponsável” e afirmou que o governo brasileiro não pretende aprovar a nomeação de novos embaixadores estrangeiros antes da conclusão do processo eleitoral, medida que, segundo o presidente, valerá para qualquer outro país.

 



Fonte: Opera Mundi

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