O chanceler israelense Gideon Saar iniciou nesta quarta-feira (05/07) uma viagem pela Colômbia e pelo Equador, para reforçar a aproximação de Israel com governos de direita na América Latina. Ele participará da posse do colombiano Abelardo de la Espriella e discutirá iniciativas como a transferência de embaixadas para Jerusalém, tema sensível na diplomacia internacional. A agenda ocorre enquanto Israel enfrenta críticas internacionais pelo genocídio em Gaza e tenta ampliar alianças políticas na região.
Na sexta-feira (07/08), Saar participará da posse do novo presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, representante da direita radical e aliado próximo de Donald Trump. A presença do ministro israelense na cerimônia simboliza a retomada das relações bilaterais após a ruptura diplomática promovida em 2024 pelo então presidente Gustavo Petro, que havia suspendido os laços com Israel em reação à ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza.
A Colômbia, sob a nova administração, anunciou a intenção de transferir sua embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, repetindo gesto diplomático adotado pelos Estados Unidos e por poucos países. A mudança é considerada altamente sensível porque envolve o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, posição rejeitada pela maior parte da comunidade internacional. Israel ocupou e anexou a parte oriental da cidade em 1967 e a considera sua capital indivisível, enquanto organismos internacionais classificam Jerusalém Oriental como território ocupado.
Além da Colômbia e do Equador – Quito recebe a primeira visita de um chanceler israelense em 44 anos –, Saar tem mantido conversas com outros governos conservadores da região. Ele se reuniu recentemente com Keiko Fujimori, presidente eleita do Peru, que integra o bloco de países latino-americanos alinhados a Israel. Segundo o chanceler, a estratégia de ampliar contatos com governos de direita tem sido conduzida de forma “determinada e sistemática”, permitindo renovar vínculos que estavam fragilizados.
Quito recebe a primeira visita de um chanceler israelense em 44 anos
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Empresa israelense quer explorar petróleo nas Malvinas
Outro aliado de Israel na região, o presidente argentino Javier Milei, também prometeu transferir a embaixada argentina para Jerusalém. A iniciativa, porém, não avançou. Segundo a imprensa israelense, o impasse está ligado a um conflito envolvendo um projeto de exploração de petróleo nas Ilhas Malvinas, área reivindicada pela Argentina e administrada pelo Reino Unido. Uma empresa israelense pretende atuar no local, o que gerou atritos diplomáticos e atrasou a decisão.
Esses movimentos de aproximação ocorrem ao mesmo tempo em que Israel enfrenta críticas intensas de governos e organizações internacionais por sua condução do genocídio em Gaza. Desde 7 de outubro de 2024, a ofensiva de Israel tem provocado reações negativas em diversos países, especialmente entre governos progressistas da América Latina, que passaram a rever ou suspender relações diplomáticas.
A estratégia de Saar busca consolidar um bloco de apoio político num momento em que Israel tenta conter esse isolamento diplomático. Ao fortalecer vínculos com governos de direita, o país procura equilibrar perdas recentes e garantir respaldo internacional para sua política externa, especialmente em temas sensíveis como Jerusalém e Gaza.



