COLUNA FAMILIA TEA BAURU| Quando o olhar percebe antes do laudo: sinais precoces no TEA e implicações psicopedagógicas, por Aline Rocha

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ALINE ROCHA

A identificação de sinais precoces no desenvolvimento infantil tem se consolidado como um dos pilares fundamentais na atuação psicopedagógica contemporânea. No contexto do Transtorno do Espectro Autista (TEA), esse olhar antecipado não se configura como rotulação, mas como estratégia de cuidado, prevenção e promoção do desenvolvimento.

Os primeiros anos de vida são marcados por intensa plasticidade cerebral, período no qual as experiências vivenciadas influenciam diretamente a organização das funções cognitivas, emocionais e sociais (DAWSON et al., 2012). Nesse sentido, a observação atenta de comportamentos como ausência de contato visual, atraso na linguagem, dificuldades na interação social e presença de padrões repetitivos pode indicar a necessidade de avaliação especializada.

A atuação psicopedagógica, nesse cenário, assume papel essencial ao considerar o sujeito em sua integralidade, articulando aspectos cognitivos, afetivos e sociais. Conforme apontam estudos da área, o desenvolvimento não ocorre de forma isolada, sendo resultado da interação entre o indivíduo e o meio (KLIN, 2006).

É fundamental destacar que a escuta qualificada da família e da escola constitui um dos principais instrumentos para a identificação inicial de sinais de risco. Muitas vezes, são esses contextos que primeiro percebem alterações no desenvolvimento, ainda que não consigam nomeá-las tecnicamente.

Do ponto de vista educacional, a escola configura-se como espaço privilegiado de observação e intervenção, possibilitando a identificação de dificuldades relacionadas à comunicação, socialização e aprendizagem. A atuação integrada entre profissionais da educação e da saúde favorece a construção de estratégias mais assertivas.

O diagnóstico de TEA, por sua vez, não deve ser compreendido como limitador, mas como direcionador de práticas e intervenções. Ele possibilita o acesso a políticas públicas, serviços especializados e estratégias pedagógicas adequadas às necessidades da criança.

Assim, a antecipação do olhar, aliada a uma prática fundamentada teoricamente, contribui significativamente para a promoção do desenvolvimento infantil. A psicopedagogia, ao integrar conhecimento científico e sensibilidade clínica, amplia as possibilidades de intervenção e transforma trajetórias.

Dessa forma, compreender e valorizar os sinais precoces no TEA é um compromisso ético e profissional, que impacta diretamente a qualidade de vida da criança e de sua família.

Agradeço ao grupo Família TEA Bauru e ao Portal GPN pela oportunidade.

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Aline Fernanda Rocha
Pedagoga e Psicopedagoga
Especialista em desenvolvimento infantil e aprendizagem
@alinerocha.psico.pedagogia

Referências

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5-TR. Porto Alegre: Artmed, 2022.

BRASIL. Ministério da Saúde. Linha de cuidado para a atenção às pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Brasília, 2015.

DAWSON, G. et al. Early behavioral intervention is associated with normalized brain activity in young children with autism. Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, 2012.

KLIN, A. Autismo e desenvolvimento: uma revisão. Revista Brasileira de Psiquiatria, 2006.

ZWAIGENBAUM, L. et al. Early identification of autism spectrum disorder. Pediatrics, 2015.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Autism spectrum disorders. 2023.

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