COLUNA TE EXPLICO AQUI | Antes do remédio, eu olho o sangue, por Dra. Thatyana Turassa

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“Doutora, será que já está na hora do remédio?”
Essa pergunta chega cedo, e quase sempre com tom de pedido de desculpas, como se considerar medicação fosse falha dos pais. Não é. TDAH bem diagnosticado, com prejuízo real na vida da criança, tem tratamento medicamentoso eficaz e seguro, validado por décadas de evidência.
Mas antes de chegar lá, tem um passo que eu não pulo: olhar o que o corpo dessa criança tem disponível para sustentar a atenção. Em muitos casos, parte do problema não está só no cérebro. Está no que falta para o cérebro funcionar.
A deficiência de ferro é uma das carências mais comuns na infância, e uma das mais subestimadas quando o assunto é atenção. O ferro participa da síntese de dopamina, envolvida em foco, motivação e controle de impulso. Ferro baixo pode causar desatenção e irritabilidade que se parecem com TDAH, ou que pioram um TDAH que já existe. Descobre-se com exame de sangue simples, não com adivinhação.
O zinco também regula dopamina, e costuma estar baixo justamente em crianças seletivas, o perfil que mais cruza com TEA e TDAH. Níveis baixos de zinco se associam a mais hiperatividade e impulsividade. Não é o milagre que resolve tudo. É a peça que, faltando, sabota o resto do tratamento.
E entre todos os nutrientes estudados neste campo, o ômega-3, especialmente o DHA, reúne uma das evidências mais consistentes. Compõe a estrutura das membranas neuronais e participa da comunicação entre neurônios. O benefício em hiperatividade e impulsividade é real, sobretudo quando a ingestão de peixe é baixa, o que é regra em criança seletiva, não exceção.
Suplemento não substitui diagnóstico, terapia ou, quando indicado, medicação. Mas tratar TDAH sem saber se há ferro, zinco ou ômega-3 em níveis adequados é tratar com uma mão amarrada nas costas. Corrigindo essas lacunas antes ou junto do tratamento, a resposta costuma vir melhor. A criança chega com mais reserva para o trabalho terapêutico proposto a ela.
Antes de perguntar se já é hora do remédio, vale perguntar o que esse corpo tem para sustentar a atenção. A resposta, às vezes, está num exame esquecido na gaveta.

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Dra. Thatyana Turassa é médica pediatra especializada em TEA, TDAH e medicina integrativa, com formação pelo CBI of Miami e Certificação Thiago Castro. Acompanha crianças unindo clínica convencional, investigação nutricional e suplementação individualizada.

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