Em 1931, um cientista criou o próprio filho junto com uma chimpanzé para ver se o ambiente humanizaria o animal.
No início, parecia funcionar. A chimpanzé aprendia mais rápido, usava talheres, reconhecia palavras. Mas aconteceu o oposto: o bebê parou de falar e começou a imitar o macaco. O estudo precisou ser interrompido.
Hoje, este experimento seria eticamente inaceitável. Mas deixou uma lição clara: o cérebro infantil não aprende pelo que você fala. Aprende pelo que vive.
Na prática, famílias chegam ao consultório exaustas com crianças “agressivas” ou “opositoras”. E a dúvida vem logo: é TDAH? É transtorno opositor? Precisa de medicação?
Mas existe uma informação que muda o olhar: uma criança de 2, 3 anos ainda não tem o córtex pré-frontal maduro. Ela não tem o freio do autocontrole. Isso começa a se organizar melhor por volta dos 6 anos.
O que parece desobediência muitas vezes é imaturidade. O que parece desafio é espelhamento.
Se o dia a dia é grito e estresse, isso vira referência.
Adultos desregulados tendem a criar crianças desreguladas.
Isso não é julgamento. É neurociência do desenvolvimento. E é também um convite: quando há preocupação com comportamento opositor, o olhar não pode parar na criança. Precisa incluir orientação parental.
Porque a pergunta que fica é: o que ela está aprendendo a repetir dentro de casa?
Dra. Thatyana Turassa é médica pediatra com atuação voltada ao desenvolvimento infantil e transtornos do neurodesenvolvimento. Possui formação em transtornos do neurodesenvolvimento pelo CBI of Miami e Certificação Thiago Castro. Dedica-se ao acompanhamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições do desenvolvimento, orientando famílias com base em ciência, cuidado e acolhimento.
Dra Thatyana Turassa | CRMSP 150384 | RQE 77914 | Pediatra • Autismo • Desenvolvimento | thatyana@me.com


