O Senado dos Estados Unidos confirmou na madrugada deste sábado (08/08) Todd Blanche como novo secretário de Justiça do país, em uma votação apertada de 50 votos a 49.
Ex-advogado pessoal de Donald Trump, Blanche já comandava interinamente o Departamento de Justiça desde abril, após a demissão de Pam Bondi em meio à crise envolvendo a condução das investigações sobre o caso Jeffrey Epstein.
Trump mantinha uma relação pessoal com Epstein, com quem conviveu socialmente durante as décadas de 1980 e 1990, antes de romper a amizade.
O nome do presidente também aparece em documentos relacionados ao caso, embora Trump negue qualquer envolvimento nos crimes atribuídos ao financista.
Blanche assume oficialmente o cargo em meio a fortes questionamentos sobre a independência da instituição em relação à Casa Branca.
Democratas e parte dos republicanos denunciam indicação de Blanche como parte de estratégia para consolidar aparelhamento político do departamento de Justiça.
Wikimedia Commons
A indicação enfrentou resistência tanto entre democratas quanto dentro da própria bancada republicana. Os críticos questionaram a proximidade de Blanche com Trump e seu histórico como defensor do presidente em processos criminais.
Todos os democratas votaram contra a nomeação, acompanhados pelas republicanas Susan Collins, do Maine, e Lisa Murkowski, do Alasca. O republicano Bill Cassidy, da Louisiana, acabou dando o voto de minerva.
Antes de integrar o governo, Blanche atuou como advogado de defesa de Trump em diferentes processos criminais, incluindo o caso envolvendo a atriz Stormy Daniels.
Ampla rejeição
A resistência de parte dos republicanos se concentrou sobretudo em duas medidas adotadas durante o período em que Blanche esteve à frente da pasta. Uma delas era a proposta de criação de um fundo de US$ 1,8 bilhão para indenizar pessoas que alegam ter sido alvo de perseguição política por autoridades federais.
O projeto foi apresentado pelo governo como uma forma de combater o que Trump chama de “aparelhamento político” do sistema de Justiça.
Sob pressão dos senadores, Blanche abandonou a proposta às vésperas da votação. A retirada da iniciativa foi uma das concessões apresentadas para tentar garantir apoio dentro do próprio Partido Republicano.
O outro ponto de conflito envolvia um acordo relacionado a uma ação de Trump contra a Receita Federal dos Estados Unidos (IRS).
Senadores dos dois partidos avaliaram que o entendimento poderia limitar futuras auditorias fiscais ou investigações financeiras envolvendo o presidente, familiares e pessoas ligadas a seus negócios. Blanche também se comprometeu a restringir o alcance dessa proteção.
As concessões foram suficientes para convencer Cassidy, que afirmou considerar Blanche a melhor opção que Trump estaria disposto a apresentar para comandar o Departamento de Justiça.
O apoio do senador foi decisivo para que a indicação superasse a barreira no Senado.
Os democratas, por sua vez, sustentaram que a nomeação representa mais um passo na transformação do Departamento de Justiça em instrumento político da Casa Branca.
O senador Dick Durbin, democrata de Illinois e integrante da Comissão Judiciária do Senado, classificou a confirmação como um “erro grave”.
“O secretário de Justiça deveria ser o advogado do povo”, afirmou Durbin durante a tramitação da indicação.
Segundo ele, Blanche continuaria atuando como advogado pessoal de Trump e tratando o Departamento de Justiça como uma estrutura voltada aos interesses de um único cliente: o presidente.



