Denúncia pede apuração de falas sobre sua identidade de gênero e questiona tentativa de desqualificar sua atuação política. Mobilização na Região dos Lagos ampliou votação em mais de 28 mil votos, segundo sua equipe.
A comunicadora e articuladora política Ágata Pauer está o Ministério Público do Rio de Janeiro para que sejam apuradas declarações atribuídas a Alex Garcia, assessor do prefeito de Cabo Frio, Dr. Serginho (PL), durante entrevista ao podcast TalkShow dos Lagos, publicada em 13 de outubro. No vídeo, o assessor utiliza expressões como “um travesti de barba” ao questionar a capacidade de uma pessoa trans de coordenar uma campanha política e pedir votos para o presidente Lula em um município que ele classifica como conservador.
Embora não tenha mencionado Ágata nominalmente, as referências à coordenação de campanha, segundo ela, permitem associar as declarações à sua atuação política na cidade. No segundo turno das eleições de 2026, ela coordenou a Frente Ampla – Bora Lula em Cabo Frio. Ao tomar conhecimento do conteúdo, na tarde desta quarta-feira (28), Ágata decidiu procurar as autoridades para solicitar a apuração dos fatos e a adoção das medidas legais cabíveis. A iniciativa terá acompanhamento jurídico e inclui a preservação do vídeo e de outros elementos que possam contribuir para a investigação.
De acordo com a comunicadora, o episódio ultrapassa os limites da divergência política. “Quando tentam usar a minha identidade de gênero para questionar a minha capacidade política, tentam desqualificar uma trajetória construída com muito trabalho e diálogo. Eu sei o que fizemos nas ruas e conheço as pessoas que caminharam com a gente. Essa denúncia não é sobre vitimismo. É sobre não naturalizar o preconceito e mostrar que nós temos o direito de ocupar os espaços políticos, trabalhar, liderar e defender nossas ideias sem que a nossa identidade seja usada para nos diminuir”, afirma Ágata.
Resultados políticos na Região dos Lagos
A atuação de Ágata na campanha também contrasta com o argumento apresentado no vídeo de que a presença de uma pessoa trans nas ruas poderia comprometer a mobilização eleitoral em uma cidade considerada conservadora. Segundo dados apresentados por sua equipe, a votação de Lula cresceu mais de 9 mil votos em Cabo Frio e mais de 28 mil votos no conjunto da Região dos Lagos, na comparação entre o primeiro e o segundo turno de 2026.
Denúncia como instrumento de enfrentamento à transfobia
A decisão de procurar a Polícia Civil também está relacionada à defesa dos direitos humanos. Ágata chama a atenção para mulheres, pessoas LGBTQIAPN+, pessoas negras e moradores de periferias que enfrentam discriminação e, muitas vezes, deixam de denunciar por medo de exposição ou por acreditarem que não haverá consequências. Para ela, romper esse silêncio é fundamental para que o preconceito não seja naturalizado.
A comunicadora já enfrenta outros episódios de ataques no campo público, incluindo processos judiciais envolvendo Abner Dantas e Cassius Ogro. Ela também é acompanhada por um programa de proteção a defensoras e defensores de direitos humanos, após relatar ameaças de um policial militar durante a organização de uma manifestação contra o assassinato de Herus.
Para ela, o episódio também traz à tona a discussão sobre os limites da liberdade de expressão e a responsabilidade de pessoas ligadas à administração pública ao se manifestarem sobre grupos historicamente discriminados.


