Editorial| Esfirras não são política pública

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Em Marília, a cena de autoridades distribuindo esfirras às crianças foi apresentada como gesto de cuidado e inovação. Mas a realidade é que reduzir políticas públicas a comida é um engano perigoso.

Mais do que um lanche, as crianças precisam de qualidade de vida: pais empregados, sustento garantido, segurança, educação plena e perspectiva de futuro. Nenhuma dessas demandas se resolve com medidas pontuais de marketing social.

O proselitismo com comida é uma forma de ficção política: cria a ilusão de cuidado, mas mascara a ausência de políticas estruturantes. Enquanto se celebra a entrega de bandejas, a desigualdade permanece, o desemprego corrói famílias e a juventude cresce sem horizonte.

Se é público, precisa ser verdadeiro. O futuro das crianças não pode ser medido em pedaços de massa recheada, mas em oportunidades reais de crescimento e dignidade.

Marília não precisa de propaganda com esfirras. Precisa de políticas sérias que alimentem não apenas o estômago, mas o futuro.

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