Editorial: O Sinal Amarelo na Urna — Os Riscos da Inexperiência e da Apologia à Impunidade

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À medida que o calendário eleitoral avança e o eleitorado se aproxima do momento decisivo nas urnas, a responsabilidade do voto exige mais do que paixão partidária ou slogans de ocasião. Exige uma análise sóbria, crítica e rigorosa sobre o perfil, a trajetória e a capacidade administrativa de quem pleiteia o cargo mais alto da República.

Quando se examina a ascensão de candidaturas alinhadas à extrema-direita radical, o sinal amarelo precisa acender para toda a sociedade brasileira.

O primeiro ponto de reflexão diz respeito à competência técnica e ao histórico de trabalho. A Presidência da República não é um cargo para aprendizes, tampouco um balcão de testes para quem construiu sua vida pública à custa de retórica incendiária, sem nunca ter gerido uma empresa, uma prefeitura ou um ministério.

O eleitor, ao contratar qualquer profissional para o seu dia a dia, exige currículo, experiência prévia e resultados concretos. Por que na escolha do chefe do Poder Executivo — responsável pela gestão da economia, pela saúde pública, pela educação e pelo bem-estar de mais de 200 milhões de pessoas — os critérios seriam mais brandos?

A ausência de uma trajetória sólida de trabalho formal ou de gestão pública levanta a incerteza imediata: como conduzirá a complexa máquina estatal alguém que não demonstra familiaridade com a rotina do trabalho e com os desafios da administração?

Em segundo lugar, a postura ética e o compromisso com os valores republicanos devem estar no centro da sabatina eleitoral. Candidate-se quem for, o histórico de alianças e homenagens prestadas fala mais alto do que qualquer promessa de campanha.

A condecoração de figuras ligadas à criminalidade, a milícias ou a atos de ilicitude, travestida de bravata política, envia um sinal perigoso ao país: o da normalização da impunidade e do desrespeito às leis.

A segurança pública e a justiça não se constroem com a condescendência a infratores, mas sim com o fortalecimento das instituições e da ordem constitucional.

Por fim, o ditado popular “tal pai, tal filho” ganha contornos de alerta institucional quando o projeto político apresentado resume-se à perpetuação de dinâmicas familiares e à reprodução de métodos autoritários de governar.

O Brasil já experimentou as consequências de gestões pautadas pela negação da ciência, pelo isolamento internacional e pela instabilidade política permanente.

A escolha do futuro presidente exige maturidade. Diante da ameaça de retrocessos sociais, administrativos e institucionais, o eleitor tem o dever de pensar no currículo, na ética e no impacto real que sua escolha terá sobre as futuras gerações. O sinal amarelo está aceso; cabe ao cidadão evitar o desastre governamental antes que o sinal vermelho feche para o país.

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