Quando falamos sobre autismo e alfabetização, uma das primeiras coisas que precisamos lembrar é que cada criança aprende de uma forma diferente.
Mesmo entre crianças com o mesmo diagnóstico, encontramos perfis muito distintos. Algumas demonstram interesse por letras e palavras desde cedo, outras precisam de mais tempo e de estratégias específicas para compreender a relação entre os sons e a escrita. Há também aquelas que conseguem ler palavras e frases, mas apresentam dificuldade para compreender o que acabaram de ler.
Por isso, olhar apenas para o diagnóstico não é suficiente. É preciso conhecer a criança, suas habilidades, suas dificuldades e, principalmente, a maneira como ela aprende.
A alfabetização envolve muito mais do que reconhecer letras ou juntar sílabas. Nesse processo estão presentes habilidades importantes, como linguagem, consciência dos sons da fala, atenção, memória, compreensão e organização do pensamento.
Em algumas crianças autistas, essas habilidades podem se desenvolver de maneira diferente. Uma criança pode ter uma ótima memória visual e reconhecer muitas palavras, mas encontrar dificuldade para interpretar um texto. Outra pode compreender muito bem uma história contada oralmente, mas precisar de mais apoio para escrever ou organizar suas ideias no papel.
Também é importante observar como as atividades são apresentadas. Para algumas crianças, instruções longas podem dificultar a compreensão. Dividir uma tarefa em pequenas etapas, utilizar apoio visual, apresentar exemplos e oferecer maior previsibilidade pode fazer uma grande diferença.
E isso não significa facilitar o conteúdo ou exigir menos.
Adaptar é oferecer condições para que a criança consiga acessar aquilo que está sendo ensinado.
Os interesses da criança também podem ser grandes aliados. Um tema de que ela gosta pode ser utilizado como ponto de partida para trabalhar leitura, escrita e compreensão, tornando a aprendizagem mais significativa e favorecendo o envolvimento nas atividades.
Quando surgem dificuldades, é importante evitar rótulos como “não quer aprender”, “não presta atenção” ou “é preguiçoso”. Muitas vezes, por trás de uma recusa ou de um baixo desempenho, existe uma habilidade que ainda precisa ser desenvolvida ou uma estratégia de ensino que precisa ser repensada.
É nesse olhar mais cuidadoso que a psicopedagogia pode contribuir: compreender como a criança aprende, identificar possíveis barreiras e pensar em estratégias que favoreçam seu desenvolvimento.
No autismo, não existe uma única maneira de ensinar e nem um único caminho para aprender.
O mais importante é enxergar a criança para além do diagnóstico, respeitando seu ritmo, reconhecendo suas potencialidades e oferecendo os apoios necessários para que ela avance com cada vez mais autonomia.
Agradeço ao grupo Família TEA Bauru e ao Portal GPN pela oportunidade.
Por fim , convido vocês a seguirem as páginas :
Família Tea Bauru https://www.instagram.com/familiateabauru/
Gabriela Almeida Neuropsicopedagoga https://www.instagram.com/gabrielaalmeida.neuropp/
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Gabriela Almeida
Pedagoga | Psicopedagoga | Neuropsicopedagoga
Especialista em Autismo,
Dislexia e Distúrbios de Aprendizagem e
Análise do Comportamento Aplicada (ABA).


