FAMILIA TEA BAURU| Quando a comida precisa fazer sentido para a criança, por Lucas Zanqueta

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Lucas Zanqueta    

É a mesma receita. O mesmo prato. Mas, se muda a marca do ingrediente, o formato ou a embalagem, a criança fecha a boca e não come.

Quem olha de fora quase sempre acha que é capricho, frescura ou falta de limite. Mas a verdade é bem diferente. Para muitas crianças — e aqui o universo do autismo (TEA) nos traz um exemplo muito claro, embora cada indivíduo seja único —, comer não é só uma questão de fome ou de achar algo gostoso.

Antes de decidir se vai engolir ou recusar, o cérebro dessa criança precisa processar uma avalanche de informações sensoriais ao mesmo tempo: a textura exata, o cheiro que sobe do prato, a temperatura, a consistência, se o alimento é macio ou duro, e até o barulho que ele faz ao mastigar.

Imagine a cena clássica do supermercado: a criança consome um determinado biscoito sem problemas. A família compra outro de marca diferente, visualmente muito parecido, e ela rejeita na primeira mordida.

Para o adulto, o raciocínio é lógico: “É tudo a mesma coisa, é só biscoito”.

Para a criança, não é. A menor variação na crocância, no cheiro ao abrir o pacote ou na rigidez da mastigação quebra totalmente a previsibilidade. E quando a comida perde a previsibilidade, ela deixa de ser segura.

É por isso que a nutrição infantil não pode funcionar na base da força ou da imposição.

O papel de um acompanhamento especializado não é obrigar a criança a raspar o prato ou forçar novos sabores goela abaixo. Pelo contrário: o trabalho começa entendendo o que ela tolera, o que recusa e, principalmente, por que aquilo é tão difícil.

A ampliação do repertório alimentar acontece a partir do que já é seguro para ela, respeitando o ritmo e os limites do seu sistema sensorial. É um processo de construção de confiança, e não de guerra à mesa.

Em vez de batermos cabeça perguntando por que a criança não come, talvez a pergunta que a gente precise fazer seja outra: o que precisa acontecer para que essa comida faça sentido para ela?

Quando mudamos essa chave, a refeição deixa de ser um campo de batalha diário e volta a ser o que deveria ser: um espaço de segurança, acolhimento e descobertas.

Agradeço ao grupo Família TEA Bauru e ao Portal GPN pela oportunidade.

Por fim , convido vocês a seguirem as páginas :

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Lucas Zanqueta    

Nutricionista | CRN3 95299/P

🧩 Pós-graduando em Nutrição no TEA

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