Festival KaOra celebra a vida, a superação e a força das mulheres nas águas de Santos

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canoas no mar. #paratodosverem

Vanessa Faro

Mais do que uma competição, uma celebração da vida. Foi com esse espírito que as águas da Praia da Aparecida, em Santos, receberam neste sábado (10) o 9º Festival Brasileiro Feminino KaOra de Canoas Havaianas. Em pleno Outubro Rosa, o evento reuniu centenas de mulheres que encontraram no esporte não apenas uma atividade física, mas também um caminho de recuperação, acolhimento, amizade e esperança.

Realizado em frente à Escola Estadual Escolástica Rosa, o festival reuniu 24 equipes em canoas havaianas de seis lugares e catamarãs de 12 lugares. Na categoria Wahine, 14 equipes de remadoras e apoiadoras da causa encararam quatro quilômetros de prova. Mas foi na categoria KaOra que a emoção ganhou ainda mais força. As dez equipes, formadas por mulheres atendidas pelo projeto e convidadas de equipes de dragon boat da capital paulista, percorreram um trajeto mais curto, de 400 metros, mas nem por isso menos emocionante. A cada remada, histórias de superação, coragem e celebração da vida ganhavam ainda mais força.

A edição deste ano teve um significado ainda mais especial: a comemoração dos dez anos do Projeto KaOra, iniciativa que utiliza o esporte como ferramenta de reabilitação física, emocional, cognitiva e social de mulheres em tratamento ou em remissão do câncer de mama.

O festival contou com o apoio da Prefeitura de Santos, por meio da Secretaria de Esportes (Semes), através do Programa Municipal de Incentivo Fiscal de Apoio ao Esporte (Promifae).

HISTÓRIAS QUE EMOCIONAM

Entre remadas, sorrisos e abraços, cada mulher carregava uma história de coragem e transformação.

Aos 69 anos, Denise Campolini é uma das participantes que acompanham o projeto desde o início. Diagnosticada com câncer de mama há 15 anos, ela encontrou na canoa havaiana uma maneira prazerosa de incorporar a atividade física à rotina.

“Descobrir o câncer não é fácil. A jornada de tratamento, cirurgia e reconstrução não é fácil, mas ela pode ser um reinício da nossa vida. E a vida pode ser boa e leve. KaOra é vida”, afirmou.

Para Denise, que antes se considerava sedentária, o contato com a natureza e a convivência com outras mulheres fizeram toda a diferença. “A canoa te coloca em contato com a natureza, com um grupo que te mantém unida. É sensacional”.

A mesma emoção está presente na história de Ellen Silva, 47, diagnosticada com câncer de mama aos 42 e integrante do projeto desde 2021.

“O KaOra foi um encontro com a vida novamente. Foi através da remada que eu me recuperei. Estar junto dentro da canoa é viver novamente, é sentir aquela vida batendo dentro da gente depois do diagnóstico”, contou.

Ellen também deixa uma mensagem para quem enfrenta a doença. “Quando a gente recebe o diagnóstico, acha que a vida acabou. Mas a vida não acabou. A vida continua. É uma luta todos os dias, mas a gente celebra a nossa vida”.

Aos 73 anos, Alice Miyasiro é outro exemplo de vitalidade. Depois de enfrentar um câncer de mama em 2009 e um câncer de rim em 2019, ela continua remando e já participou das nove edições do festival.

“Estou aqui feliz da vida, aproveitando tudo o que o mar dá para a gente. Quando a gente sai daqui, sai com o corpo leve e a alma purificada. Estar aqui com minhas amigas dá qualidade de vida”, resumiu.

Para Vera Lúcia Rodrigues, diagnosticada com câncer de mama em 2016, a edição deste ano marcou sua estreia na competição. Mais importante do que o resultado foi a oportunidade de participar.

“O importante é estar aqui, brincar, se divertir e viver um dia de cada vez. Ter esperança sempre, muita fé e muito amor”, declarou.

INCLUSÃO SEM LIMITES

O festival também abriu espaço para a inclusão. Uma equipe da base Santista Va’a, com atletas cegas e com baixa visão, participou da competição, mostrando que o esporte também é sinônimo de liberdade e autonomia.

Vera Lúcia Anastácio, 62 anos, nasceu cega e pratica canoa havaiana há um ano. Ela afirma que encontrou no mar um universo de novas possibilidades. “A cada dia é uma descoberta. Vou evoluindo meu corpo, minha mente e tendo mais confiança em mim mesma”.

Segundo Cláudio Almeida Ribeiro, coordenador técnico da Santista Va’a, o trabalho com pessoas com deficiência visual começou há três anos, em parceria com o Lar das Moças Cegas, e desde então foi ampliado para receber outros interessados. “Para elas, participar de uma competição sem distinção é muito libertador. Na canoa, elas remam como qualquer outra pessoa”, destacou.

O projeto também recebe interessados em aulas experimentais, que podem entrar em contato pelo Instagram @santistavaa.

DEZ ANOS

O que começou com apenas 11 mulheres se transformou em uma grande rede de acolhimento. Atualmente, o Projeto KaOra atende gratuitamente 128 participantes e conta com 18 profissionais.

Além da canoa havaiana, são oferecidas atividades como ginástica, remo indoor e outdoor, ioga, dança e música, com acompanhamento de uma equipe multidisciplinar formada por médicos, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e educadores físicos.

Para Fábio Paiva, criador do projeto, a experiência transformou não apenas a vida das participantes, mas também a sua própria.

“Existe um Fábio antes do projeto e outro depois. Elas me ensinaram muitas coisas. Às vezes, as pessoas falam do bem que fazemos por elas, mas é o bem que elas fazem por nós. São mulheres que passaram por situações tão difíceis e conseguem esbanjar alegria e contagiar todo mundo”, destacou.

Ele também reforçou que o trabalho não se limita ao mês de conscientização sobre o câncer de mama.

“Nosso projeto não é Outubro Rosa. É de janeiro a janeiro com elas”, afirmou.

INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO

Presente no festival, o secretário municipal de Esportes, Rogério Sampaio, destacou a importância do incentivo público a iniciativas que utilizam a atividade física para promover saúde e qualidade de vida.

“A Secretaria Municipal de Esportes de Santos se sente extremamente feliz de poder participar desse projeto através da Lei Municipal de Incentivo ao Esporte (PROMIFAE). Reconhecemos sua importância para a sociedade, porque une o esporte a pessoas que estão em tratamento, em recuperação ou que já se recuperaram de tratamentos oncológicos. É um projeto que muda a vida das pessoas”, afirmou.

O 9º Festival Brasileiro Feminino KaOra foi realizado pela Canoa Brasil, com supervisão da Associação Brasileira de Canoas Havaianas (ABRACHA), apoio da Prefeitura de Santos, por meio da Semes e do Promifae, e da Liga Santista de Va’a.

 

CONFIRA TODA A PROGRAMAÇÃO DO OUTUBRO ROSA.

 

Esta iniciativa contempla o item 3 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Saúde e Bem-Estar. Conheça os outros artigos dos ODS.

 

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Fonte: Prefeitura de Santos

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