Fim da escala 6×1: sindicatos terão papel crucial na fiscalização e regulação da lei, diz coordenador do Fórum das Centrais Sindicais

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O dia 14 de outubro de 2026 ficará marcado na história da luta da classe trabalhadora, quando, após intensa mobilização popular, o Senado aprovou em dois turnos o fim da escala 6×1 sem redução salarial. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC), uma das principais bandeiras do governo Lula, teve como uma das vozes mais ativas a deputada federal Erika Hilton (Psol-SP).

Foram 75 votos favoráveis e apenas um contrário: o do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Não compareceram os senadores Rogério Marinho (PL-RN), Sergio Moro (PL-PR), Márcio Bittar (PL-AP) e Ciro Nogueira (Republicanos-PI). Flávio Bolsonaro (PL-RJ) votou remotamente.

Ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, o sociólogo Clemente Ganz Lucio, coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, destaca que a luta dos movimentos sindicais pela redução de jornada é muito antiga e lembra a pequena grande vitória, em 1988, quando houve redução de 48 horas para 44. Por isso, ele considera muito emblemático estar testemunhando mais uma conquista, essa maior ainda. “Essa redução da jornada de trabalho para 40 horas é acompanhada de uma regulação muito importante, porque garante dois dias de descanso para todos os trabalhadores e trabalhadoras”, ressalta.

Ganz Lucio destaca que o trabalho realizado junto aos empresários para explicar as mudanças também foi importante para buscar diminuir a desaprovação que a pauta tem na visão de quem contrata. Mesmo assim, lidar com o lobby de parte do empresariado foi desafiador. “Ao longo da história, ao longo dos últimos 150 anos, sempre que a classe trabalhadora demanda uma redução de jornada, o empresariado fala a mesma coisa: que vai quebrar as empresas, vai quebrar o país, vai aumentar o desemprego, salário vai ser arrochado, inflação vai aumentar, informalidade, ou seja, a desgraceira toda que eles conseguem reunir para dizer que isso vai gerar o caos é impressionante”, afirma.

O sociólogo, no entanto, destaca que, apesar de esse mesmo argumento ter sido usado em 1988, o país não quebrou. “O Brasil cresceu, gerou mais empregos, tudo continuou funcionando e funcionando, talvez melhor em muitas situações”, ressalta. 

Clemente Ganz Lucio também compara o financiamento das organizações sindicais patronais e dos trabalhadores. “Há uma desigualdade econômica do ponto de vista da representação monstruosa, ou seja, eles têm recursos públicos que financiam a organização sindical deles de forma exorbitante, numa desigualdade monstruosa, enquanto o movimento sindical foi duramente atacado em 1900, em 2017, quebrando o financiamento sindical e quebrando a capacidade do movimento sindical fazer muitas das ações que ele fazia. Mesmo assim, nós fizemos um trabalho importante que resultou nessa vitória, apesar de todo o lobby com muito recurso financeiro para fazer o confronto a essa proposta”, comemora.

Para ele, a PEC também fortalece o papel dos sindicatos, especialmente no que diz respeito à fiscalização e garantias. “O sindicato passa a ter um papel fundamental na regulação, na fiscalização das 40 horas; evidente, esse é um papel permanente. A outra na regulação de como a escala 5×2 se adequa em cada situação”, explica.

Para ouvir e assistir

O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.





Fonte: Brasil de Fato

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