Governo de direita da Colômbia remove obras LGBTQIA+ e feministas de museu

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O governo do presidente de direita Abelardo de la Espriella, na Colômbia, determinou a retirada de mais de 30 obras do Museu Nacional, localizado em Bogotá, capital do país. Entre os materiais removidos estão fotografias, cartazes e objetos relacionados à história dos movimentos LGBTQIA+ e feministas, à violência política e ao acordo de paz firmado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

A medida ocorre em meio à ofensiva ideológica anunciada pelo presidente colombiano. Segundo reportagem do jornal colombiano La Silla Vacía, as peças foram retiradas de pelo menos três salas do museu, deixando espaços vazios e marcas visíveis nas paredes.

A ordem teria partido diretamente do Ministério da Cultura, comandado por Paola Holguín. De acordo com funcionários ouvidos pelo veículo sob condição de anonimato, o secretário-geral da pasta, Julián Sterling, esteve no museu acompanhado da diretora interina, Constanza Toquica, para definir quais obras seriam removidas.

A decisão teria sido tomada sem consulta aos comitês curatoriais responsáveis pelas exposições, contrariando os procedimentos habituais da instituição.

A retirada aconteceu no mesmo dia em que De la Espriella visitou o Ministério da Cultura para anunciar o início de uma “contrarrevolução cultural”. Durante o discurso, o presidente defendeu uma luta contra o que classificou como uma ameaça aos valores tradicionais.

O mandatário prometeu uma “luta aberta, determinada e patriótica contra o wokismo”, que, segundo ele, estaria transformando os fundamentos morais, culturais e sociais do Ocidente.

Governo de direita da Colômbia remove obras LGBTQIA+ e feministas de museu. (Foto:
Governo de direita da Colômbia remove obras LGBTQIA+ e feministas de museu. (Foto: La Silla Vacía)

Entre as primeiras peças retiradas estavam objetos ligados à história da população LGBTQIA+ e à luta pelos direitos das mulheres. Na sala dedicada à construção da sociedade colombiana, desapareceram pelo menos dez materiais relacionados a esses movimentos.

Entre eles estavam uma bandeira do orgulho LGBTQIA+ pertencente à ativista Elizabeth Castillo, materiais de divulgação de uma marcha de 2006, documentos sobre direitos reprodutivos das mulheres e um exemplar da revista La Ventana Gay, publicação histórica do movimento LGBTQIA+ colombiano.

A intervenção também atingiu registros de episódios marcantes da história política do país. Foram retirados cartazes das campanhas presidenciais de Bernardo Jaramillo Ossa, candidato da União Patriótica assassinado em 1990, e Carlos Pizarro, ex-comandante da guerrilha M-19, também morto naquele ano após participar do processo de desmobilização do grupo.

Outra área afetada reunia objetos relacionados à Constituição colombiana de 1991 e ao acordo de paz de 2016, firmado entre o governo e as Farc para encerrar décadas de conflito armado.

Entre os itens removidos estava uma caneta produzida a partir de uma bala de fuzil, símbolo do acordo de paz, além de documentos históricos ligados ao movimento estudantil que impulsionou a convocação da Assembleia Constituinte de 1991.

Na sala intitulada “Memória e Nação”, quase todas as fotografias de um mural dedicado à diversidade cultural, social e política da Colômbia também foram retiradas.





Fonte: ICL Notícias

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