GovTech na prática: como acelerar parcerias e inovações no setor público?

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Debate promovido pelo Serpro no Web Summit Rio 2026 reuniu representantes da empresa e da Caixa para discutir inovação aberta, parcerias estratégicas e novos modelos de contratação pública

GovTech na prática

A inovação no setor público depende cada vez mais da capacidade de conectar governo, empresas, startups e ecossistemas de tecnologia. Mudança cultural, capacitação de gestores, colaboração entre instituições e novos instrumentos de contratação foram alguns dos temas debatidos no meetup “GovTech na prática”, realizado nesta quarta-feira (10), no estande do Serpro durante o Web Summit Rio 2026. O encontro reuniu especialistas do Serpro e da Caixa para compartilhar experiências sobre inovação aberta e os caminhos para acelerar a transformação digital no setor público.

Parcerias como estratégia para gerar valor

Ao apresentar a experiência do Serpro, Eder Silva, gerente de Parcerias e Oportunidades de Negócio, destacou que as parcerias têm se consolidado como um importante instrumento para ampliar a capacidade de inovação das empresas públicas. Segundo ele, o modelo permite unir a expertise das estatais à capacidade de inovação do mercado, acelerando o desenvolvimento de soluções e ampliando a oferta de serviços para órgãos públicos e clientes privados. “Se a estatal não utilizar esses instrumentos e não envolver as empresas nesse processo, ela está perdendo uma oportunidade de virar o jogo e passar a ser uma estatal cada vez mais sustentável”, afirmou.

Eder destacou que os benefícios das parcerias vão além da inovação. Para ele, a aproximação entre empresas públicas e privadas contribui para garantir mais estabilidade aos clientes governamentais e criar mecanismos que reduzem custos para a administração pública. De acordo com ele, ao contratar soluções do Serpro, órgãos públicos podem contar com maior continuidade na prestação dos serviços, sem a necessidade de constantes trocas de fornecedores, o que favorece a eficiência operacional e a preservação do conhecimento acumulado ao longo dos anos. “Enquanto o parceiro tiver um produto competitivo com a gente, essa relação pode durar 10, 15 ou 20 anos. Isso gera uma perenidade muito importante para os órgãos públicos e evita interrupções ou mudanças frequentes de solução”, ressaltou.

Segundo Eder, o modelo também permite que receitas obtidas com soluções ofertadas ao mercado privado contribuam para reduzir custos de contratos mantidos com órgãos públicos, criando um ciclo virtuoso capaz de beneficiar a administração pública, ampliar a sustentabilidade dos serviços e gerar melhores resultados para a sociedade. “Fechamos um ecossistema que traz o mercado privado para dentro da estatal, oferta soluções de maneira mais rápida e ainda permite reduzir custos para os ministérios. É um modelo que gera benefícios para todos os envolvidos”, destacou.

Antes da solução, é preciso definir o problema

Ao conduzir o debate, Rafael Ando, gerente de Inovação Aberta em Negócios do Serpro, destacou a importância de mudar a forma como os desafios são apresentados dentro das organizações. “Muitas vezes o cliente já vem com a solução e não traz o problema. A gente precisa mudar esse enfoque e partir para definir melhores problemas, problemas bem especificados, para que os futuros parceiros possam entender se têm aderência para ajudar na resolução daquele desafio”, observou.

Para Ando, a qualidade da definição dos desafios influencia diretamente a capacidade de atrair parceiros e construir soluções inovadoras capazes de gerar impacto para a sociedade.

Da ideia à implementação

Apesar dos avanços no marco legal da inovação, um dos principais obstáculos para ampliar a adoção de novos modelos de contratação ainda está dentro das próprias organizações. Para Lucas Zaccaro, gerente de Inovação da Caixa, instrumentos como o Contrato Público para Solução Inovadora (CPSI) têm ajudado a demonstrar que é possível trabalhar com startups de forma segura e gerar resultados concretos para a administração pública. “Muitas vezes o gestor público não vê a inovação aberta como algo possível. O CPSI ajuda justamente a mostrar que existe um caminho pelo qual o gestor público pode fazer uma conexão efetiva com uma startup e resolver problemas reais”, afirmou.

Segundo ele, a Caixa já lançou nove processos de contratação nesse formato e possui startups desenvolvendo soluções que hoje já são utilizadas por clientes da instituição. “O mais importante é conseguir sair do outro lado e ter algo na mão do cliente. Hoje a Caixa tem serviços que clientes reais estão usando e que são feitos por startups contratadas por meio dessas chamadas”, destacou.

Instrumentos existem, mas precisam ser mais utilizados

Para Paulo Pastore, gerente do Núcleo de Inovação Tecnológica do Serpro, o setor público já dispõe de diferentes mecanismos para impulsionar a inovação, mas ainda precisa ampliar o uso dessas ferramentas e compartilhar experiências entre organizações. Ele citou instrumentos como CPSIs, encomendas tecnológicas, convênios com universidades e acordos de parceria como alternativas capazes de acelerar o desenvolvimento de soluções inovadoras.

Segundo ele, iniciativas de benchmarking e equipes multidisciplinares são fundamentais para apoiar gestores e aumentar a confiança na adoção desses modelos. “A gente precisa aprender a usar esses caminhos. Muita gente já percorreu essa trilha antes. Temos muito a aprender com outras organizações que já estão utilizando esses instrumentos e acumulando experiências que podem ser compartilhadas”, afirmou.

Capacitação para acelerar a inovação

Outro ponto de consenso entre os participantes foi a importância da capacitação para ampliar o uso dos instrumentos de inovação no setor público. Para Zaccaro, muitos gestores ainda desconhecem mecanismos como o CPSI ou têm receio de utilizá-los por falta de informação e experiência. “Quando o gestor passa a conhecer o instrumento, entende que existe uma base jurídica e um marco legal que dão respaldo para inovar, esse medo diminui. A capacitação é muito importante para que essas iniciativas avancem”, afirmou. O representante da Caixa também defendeu uma maior integração entre instituições públicas para compartilhar experiências e acelerar a disseminação de boas práticas.

Ao longo do debate, os participantes defenderam que a construção de um ecossistema mais colaborativo, baseado na troca de conhecimento e na articulação entre governo, mercado e academia, será fundamental para ampliar a capacidade de inovação do Estado e responder aos desafios cada vez mais complexos da transformação digital.

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