O público pernambucano poderá conferir duas obras de diferentes momentos da trajetória do Grupo Corpo (MG) nos dias 1º e 2 de novembro, às 18h, no Teatro de Santa Isabel, no bairro de Santo Antônio, área central do Recife. O repertório reúne “Piracema”, criação mais recente da companhia, lançada em 2025 para celebrar seus 50 anos de atividades, e “Parabelo”, espetáculo de 1997 que explora referências musicais e culturais do interior do Brasil. A apresentação na próxima segunda-feira (2) contará com audiodescrição.
As duas coreografias têm a assinatura de Rodrigo Pederneiras, mas apresentam caminhos distintos de investigação da dança brasileira. Enquanto Piracema propõe uma reflexão sobre transformação, permanência e renovação, Parabelo constrói uma paisagem inspirada nos ritmos, nas manifestações populares e nas tradições do sertão. Os ingressos custam de R$ 25 (meia-entrada) a R$ 220 (inteira), à venda pela Sympla .
Em Piracema, o fenômeno natural da migração dos peixes contra a correnteza, em direção às nascentes dos rios para a reprodução, inspira a criação. A imagem foi escolhida para representar a trajetória de cinco décadas do grupo, associando a resistência diante dos obstáculos à capacidade de se reinventar.
A coreografia foi desenvolvida por Rodrigo Pederneiras e Cassi Abranches, que passaram a dividir a função de coreógrafos residentes da companhia. A proposta de criação partiu do diretor artístico Paulo Pederneiras, que dividiu os 22 bailarinos em dois grupos. Cada coreógrafo ficou responsável por elaborar uma parte do espetáculo sem acompanhar o processo do outro. As duas propostas só foram apresentadas conjuntamente dois meses antes da estreia.
A trilha sonora original é assinada por Clarice Assad, primeira mulher a compor uma música para o Grupo Corpo. Estruturada em três movimentos, a composição percorre sonoridades que vão de referências tribais e naturais a construções sinfônicas, eletrônicas e urbanas. O trabalho contou com a participação do percussionista Keita Ogawa, da New Century Chamber Orchestra, de São Francisco, e do violonista e compositor Sérgio Assad, pai da compositora.
A construção visual também dialoga com a proposta da obra. Na cenografia, Paulo Pederneiras utiliza 82.320 tampas de latas de sardinha instaladas sobre uma rede, formando uma superfície metálica que remete às escamas dos peixes. Os figurinos, criados por Susana Bastos e Marcelo Alvarenga, exploram a relação entre natureza e tecnologia, com uma transição de tons terrosos para cores frias e prateadas.
Já Parabelo, criado em 1997, mergulha em referências musicais associadas ao sertão e às manifestações populares brasileiras. Com trilha de Tom Zé e Zé Miguel Wisnik, o espetáculo combina cantos de trabalho e devoção, baião e diferentes construções rítmicas.
A coreografia acompanha essa diversidade sonora com movimentos marcados pela mobilidade do tronco, pelo jogo de cintura e pela presença dos pés. Em vez de reproduzir literalmente manifestações regionais, a obra reelabora essas referências por meio da linguagem contemporânea do Grupo Corpo.
O cenário, assinado por Fernando Velloso e Paulo Pederneiras, apresenta dois grandes painéis com imagens de ex-votos encontrados em igrejas do interior. Os figurinos de Freusa Zechmeister também participam da construção visual: inicialmente, as malhas coloridas dos bailarinos aparecem cobertas por tule preto, que é retirado na segunda parte da apresentação, revelando as cores.
O Grupo Corpo é apresentado pela Petrobras e conta com patrocínio da Vivo, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Fonte: Brasil de Fato


