Por Carlos Campos, Vice-presidente de Vendas LATAM e Diretor Geral da emnify no Brasil
Durante muito tempo, o sucesso de um projeto de Internet das Coisas (IoT) era medido pela capacidade técnica de simplesmente colocar um dispositivo online. No entanto, à medida que avançamos, o mercado amadureceu e a métrica de sucesso mudou. Hoje, o verdadeiro diferencial entre uma operação eficiente e um gargalo financeiro não é mais a conectividade em si, mas sim a capacidade de gerenciar essa infraestrutura em larga escala.
O crescimento acelerado do mercado de IoT já dá uma dimensão dessa nova era. Os números ajudam a dimensionar o tamanho do desafio: de acordo com dados divulgados pela Statista, a quantidade de dispositivos conectados no mundo deve mais que dobrar nos próximos anos, saltando de 19,8 bilhões em 2025 para mais de 40,6 bilhões até 2034.
Esse volume massivo traz consigo uma complexidade operacional, que, se não for gerenciada de forma eficaz, pode se tornar um enorme entrave para a inovação e para os negócios como um todo. Quando passamos de centenas para milhões de dispositivos, os modelos tradicionais de gestão entram em colapso. O desafio deixa de ser o “bit e o byte” da transmissão e passa a ser a orquestração do ciclo de vida, a automação de processos e a integração profunda com os ambientes de nuvem.
A barreira da escala em setores críticos
Esse avanço da IoT não é uniforme; é naturalmente impulsionado por setores que exigem alta capilaridade e cujos investimentos são massivos.
No ecossistema de meios de pagamento, por exemplo, a prioridade é a continuidade absoluta do serviço. Em um cenário no qual as máquinas de cartão e os totens de autoatendimento estão espalhados por todo o território, a segurança exige um controle cirúrgico de cada terminal para evitar interrupções de receita. Sem uma conectividade nativa em nuvem, a empresa perde a visibilidade sobre quais pontos estão ativos ou gerando custos desnecessários. A automação torna-se, então, o fator de sustentação da expansão comercial, permitindo que o foco saia do suporte técnico e volte para a inovação do negócio.
Já no setor de energia, há projeções que indicam que as soluções de gestão baseadas em IoT devem movimentar mais de US$ 115 bilhões já em 2026. Aqui, o volume de dados e a criticidade da operação são os grandes gargalos. Gerenciar medidores inteligentes (smart meters) ou infraestruturas de rede exige uma visibilidade em tempo real que sistemas legados não oferecem. A escalabilidade real só acontece quando milhares de novos pontos de controle entram em operação com a simplicidade de um “botão digital”, garantindo performance e segurança sem a necessidade de configurações manuais complexas.
Ou podemos ainda mencionar o agronegócio, onde o desafio é a operação em áreas remotas. Dispositivos de monitoramento de safra ou telemetria de maquinário operam em locais onde qualquer intervenção física é inviável e dispendiosa. Sem uma gestão automatizada e remota do ciclo de vida desses chips, a manutenção básica pode se tornar um pesadelo logístico que inviabiliza o projeto.
Todos esses exemplos provam que a conectividade tradicional, muitas vezes engessada por múltiplos fornecedores e plataformas rígidas, obriga as empresas dessas verticais a mobilizarem recursos preciosos para tarefas burocráticas.
O diferencial estratégico: automação e integração cloud-native
Para superar esse gargalo, precisamos falar sobre a virtualização total da conectividade. O novo paradigma exige que a gestão seja totalmente automatizada e que a conectividade deve se comportar como qualquer outro serviço de software: escalável, programável e visível através de APIs.
As integrações automatizadas permitem que a empresa tenha controle total em tempo real, sem depender de processos lentos de operadoras convencionais. Quando a rede está integrada diretamente ao ecossistema de nuvem do cliente, o provisionamento torna-se remoto e instantâneo, eliminando a complexidade logística que historicamente travou a implementação em larga escala.
O futuro é a gestão ‘invisível’
O diferencial competitivo no mercado global de IoT não pertence mais a quem apenas “vende chip”, mas a quem simplifica a jornada operacional.
À medida que o ecossistema brasileiro evolui, as empresas que buscam liderança precisam de parceiros que ofereçam visibilidade total e controle centralizado. O objetivo final é tornar a conectividade “invisível”: uma infraestrutura tão resiliente e automatizada que os gestores possam parar de se preocupar com a rede e focar exclusivamente no valor gerado pelos dados e na inovação de seus negócios.
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