Navio de GNL do Catar atravessou passagem marítima após obter autorização iraniana, mas dois petroleiros foram obrigados a retornar
Irã e Omã mantêm negociações sobre a situação no Estreito de Ormuz, em meio à escalada militar de Washington e as respostas de Teerã aos bombardeios nesta madrugada. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, as conversas iniciadas com Omã sobre o tráfego comercial pela passagem marítima prosseguiram com novas reuniões realizadas nesta quinta-feira (30/07).
Nesta quarta-feira (29/07), Teerã declinou o mecanismo de controle proposto por Omã, que previa dividir igualmente gestão do tráfego na via navegável. Segundo o porta-voz, em entrevista à agência ILNA, até o presente momento, “o que está claro é que o Estreito de Ormuz está fechado devido às ações norte-americanas e à insegurança que os Estados Unidos impuseram a essa via navegável”.
Ele reiterou que “a navegação internacional está sendo prejudicada e danificada unicamente por causa das ações norte-americanas”, citando os ataques norte-americanos contra embarcações iranianas e classificando-os como um “bloqueio ilegal de portos e rotas de trânsito”. Baghaei também mencionou a continuidade das agressões de Washington no território iraniano, após diversas tentativas de cessar-fogo desde o início do conflito.
Situação no Estreito
Enquanto as negociações entre Irã e Omã continuam, a circulação de embarcações pelo Estreito de Ormuz permanece limitada. Nesta quinta-feira (30/07), um navio-tanque de gás natural liquefeito (GNL) do Catar atravessou a hidrovia após obter autorização de Teerã.
Trata-se da primeira travessia de uma embarcação do país, após um petroleiro catariano ter sido atacado na região, três semanas atrás. Segundo a Bloomberg, a embarcação segue em direção ao Golfo de Omã. A empresa Marine Traffic apontou o Paquistão como destino.
Irã mantêm negociações com Omã sobre Estreito de Ormuz
Agência Tasnim
Enquanto isso, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) informou que dois petroleiros que tentaram utilizar uma “rota insegura” ao sul do Estreito de Ormuz foram obrigados a retornar, após um “incêndio grave” atingir uma das embarcações. A IRGC acusa que aeronaves dos Estados Unidos direcionaram os dois navios por essa rota.
Em comunicado, a IRGC reafirmou seu “controle total” sobre a hidrovia, declarando que forças “estrangeiras” situadas a milhares de quilômetros da região não terão permissão para interferir na navegação”.
“O Estreito de Ormuz permanecerá fechado” enquanto os Estados Unidos mantiverem “ameaças, retórica provocativa e interferência” nas atividades marítimas da região, acrescenta o texto.



