Luzes do Palco, Escuridão na Periferia: O Contraste entre os Festivais Milionários e o Abandono de Marília

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Enquanto os holofotes iluminam os palcos gigantescos e o som dos shows sertanejos ecoa pela cidade, na expectativa do que irá acontecer, o que seja a velha política do circo & pão, achando que o povo ainda se compra com ilusão, o cotidiano da população de Marília revela uma realidade completamente distante dos vídeos editados para as redes sociais. Sob o pretexto de realizar uma “feira agropecuária”, a administração municipal resgatou o formato dos grandes eventos com portões abertos e cachês milionários, enquanto a estrutura básica do município desmorona a olhos vistos.

Nas ruas, o cenário é de completo abandono. O trânsito da cidade virou um teste de sobrevivência entre buracos que se multiplicam a cada chuva e a falta de manutenção do asfalto básico. Na ponta dos serviços essenciais, a dor é ainda mais profunda: postos de saúde enfrentam escassez de suprimentos e filas de espera, enquanto a rede de assistência social opera no limite, sem estrutura adequada para atender às famílias em situação de vulnerabilidade.

A política do marketing digital — onde a gestão ostenta uma imagem de modernidade e eficiência no TikTok e no Instagram — contrasta diretamente com a poeira e o descaso sentidos pelos moradores do centro e dos bairros periféricos. A impressão que fica para a população é que o poder público atua como dono da cidade, priorizando a visibilidade momentânea e a propaganda em detrimento das prioridades reais da comunidade.

Diante do volume de recursos públicos investidos na contratação de atrações de peso nacional, cresce a cobrança por transparência absoluta sobre as contas do município. O povo de Marília assiste aos festejos com um misto de decepção e revolta, questionando até quando as verbas da saúde, da infraestrutura e do bem-estar social continuarão sendo preteridas em nome do espetáculo.

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