O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou neste sábado (31) que o governo estadunidense não esteve “diretamente envolvido” no plano de fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o país norte-americano após a derrota nas eleições presidenciais. A declaração foi dada durante coletiva de imprensa na Cúpula de Chanceleres do G20, em Atlanta, na Geórgia.
“Ele já tinha um visto anteriormente, e o presidente [Donald Trump] tomou a decisão de permitir que ele entrasse no país”, disse Rubio. O chefe da diplomacia de Washington sustentou que o governo estadunidense não participou da organização logística ou dos arranjos de viagem do candidato derrotado no segundo turno.
“Não estávamos envolvidos em nenhum dos acordos ou preparativos que ele fez para deixar o país. Pelo menos, o governo dos Estados Unidos não participou diretamente de nenhuma das ações realizadas”, afirmou o secretário.
Apesar da tentativa de afastar a responsabilidade direta de Washington, a acolhida oferecida ao parlamentar ocorre em meio ao descumprimento ostensivo de determinações da Justiça brasileira. Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil descumprindo a ordem de retenção e entrega de passaportes emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em inquérito que apura crimes contra as instituições democráticas.
A rota de fuga teria sido articulada com o suporte de governos alinhados à extrema direita na região. O senador cruzou a fronteira por Puerto Iguazú, na Argentina do aliado Javier Milei, fez escala no Equador e desembarcou em Miami.
Horas após a chegada aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro divulgou uma carta golpista em que se autodeclarou “presidente eleito”, repetindo a tática adotada pelo opositor venezuelano Juan Guaidó.
Na Flórida, o candidato derrotado passou a integrar uma estrutura permanente de cooperação política da extrema direita contra as instituições brasileiras. O local já abrigava o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, condenado pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão, o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, condenado a 16 anos por participação na trama golpista de 2022, e o influenciador Paulo Figueiredo.
Em análise feita no Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cientista política Rosemary Segurado pondera que o acolhimento oferecido por Washington, Buenos Aires e Quito expõe uma rede internacional de acobertamento a um investigado que violou ordens judiciais expressas. “Não existe dar asilo político ou guarida a quem vive em uma sociedade democrática”, destaca a pesquisadora.
O episódio provocou forte tensionamento diplomático durante a abertura do G20. Na sexta-feira (30), o chanceler brasileiro Mauro Vieira e Marco Rubio tiveram um breve encontro e aperto de mãos em recepção oficial.
Fonte: Brasil de Fato


