MISÉRIA CAPITALISTA| População em situação de rua cresce no Brasil e acende alerta social

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O Brasil encerrou o ano de 2024 com 365.822 pessoas vivendo em situação de rua, segundo levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua. O número representa um aumento expressivo de cerca de 30% em relação a 2022, quando havia aproximadamente 281 mil pessoas nessa condição, conforme estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

A evolução dos dados revela uma tendência preocupante. Em 2020, eram 194.824 pessoas vivendo nas ruas. Já em 2021, durante o período mais crítico da pandemia de Covid-19, houve uma queda para 158.191 — cenário atribuído, em parte, a políticas emergenciais e medidas de assistência social adotadas naquele momento. No entanto, a partir de 2022, os números voltaram a subir de forma consistente, indicando agravamento das condições socioeconômicas no país.

Concentração regional

Os dados mais recentes, baseados no Cadastro Único (CadÚnico), mostram que a maior concentração da população em situação de rua está na Região Sudeste, que reúne 222.311 pessoas — o equivalente a 61% do total nacional.

O estado de São Paulo lidera com ampla margem, registrando 150.958 pessoas nessa condição. Em seguida aparecem Rio de Janeiro, com 33.656, e Minas Gerais, com 33.139. Na outra ponta, o Amapá apresenta o menor número, com 292 pessoas em situação de rua.

Indicador de vulnerabilidade

O levantamento utiliza dados do CadÚnico, ferramenta do governo federal que reúne informações de famílias em situação de vulnerabilidade e serve como base para programas sociais. Especialistas apontam que, embora relevante, o número pode ser ainda maior, já que nem todas as pessoas em situação de rua estão cadastradas.

Desafio estrutural

O crescimento da população em situação de rua reflete uma combinação de fatores, como desemprego, aumento do custo de vida, fragilidade das políticas públicas e desigualdade social. O cenário evidencia um desafio estrutural que exige ações integradas entre governos, sociedade civil e instituições.

O avanço desses números acende um alerta para a necessidade de políticas públicas mais eficazes, capazes de oferecer não apenas assistência emergencial, mas também caminhos reais de reinserção social e acesso à moradia.

A tendência de alta reforça a urgência do tema e coloca a questão da vulnerabilidade social no centro do debate nacional.

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