O Brasil se despede de uma das figuras mais singulares, elegantes e talentosas de sua música popular. O cantor, compositor e pianista Benito di Paula faleceu no domingo (18), aos 84 anos, em São Paulo, em decorrência de complicações de um câncer contra o qual lutava há cerca de um ano. Estava internado no Hospital 9 de Julho. Sua partida deixa um vazio irreparável no coração dos fãs de samba e da MPB.
O criador do “Samba-Pianado” e os Grandes Sucessos
Nascido em Nova Friburgo (RJ), Benito di Paula (nome artístico de Uday Vellozo) revolucionou a música brasileira a partir da década de 1970 ao introduzir o piano de cauda como protagonista do samba tradicional. Criador do estilo apelidado de “samba-pianado”, ele combinou a cadência e a percussão do samba com o lirismo e a sonoridade da música romântica.
Entre os seus inumeráveis sucessos que atravessaram gerações e se tornaram verdadeiros hinos populares, destacam-se:
- “Retalhos de Cetim”: Uma das canções mais regravadas e cantadas da história da MPB, um retrato poético e triste sobre a desilusão carnavalesca.
- “Charlie Brown”: Um clássico vibrante que rodou o mundo, homenageando o personagem das tirinhas e a cultura brasileira.
- “Mulher Brasileira”: Marcada pelo refrão inesquecível e pelo suingue do piano, celebrando a figura feminina com alegria.
- “Ah! Como Eu Amei”: Sucesso que embalou trilhas sonoras e marcou a vertente mais romântica do artista.
- “Tudo Está No Seu Lugar”: Uma verdadeira celebração do otimismo e da superação.
Destaques da Carreira e Reconhecimento
Ao longo de mais de 50 anos de trajetória, Benito di Paula vendeu dezenas de milhões de discos no Brasil e no exterior. O artista levou a música brasileira para palcos da Europa, América Latina e Estados Unidos, mostrando que o samba podia sim dialogar com o piano clássico sem perder a sua essência popular.
Em sua fase mais recente, continuava sendo ovacionado por velhas e novas gerações. Em março de 2025, foi amplamente homenageado no Carnaval de São Paulo pela escola de samba Águia de Ouro, coroando uma vida dedicada à celebração da cultura nacional.
A Falta que Fará e o Legado Inestimável
A morte de Benito di Paula deixa a MPB sem a sua voz inconfundível, seu cavanhaque marcante e as mãos ágeis que tiravam melodia e ritmo das teclas pretas e brancas com uma facilidade única. Ele demonstrou que a música popular não precisa de barreiras estéticas e que o preconceito da crítica de sua época não foi capaz de deter o amor avassalador do público.
Seu legado, contudo, é imortal. Cada nota de piano ritmada, cada samba lírico e cada verso singelo escrito por Benito permanecerão vivos nas rodas de samba, nas rádios e na memória afetiva do povo brasileiro.


