O Ministério Público da Bolívia emitiu nesta quarta-feira (29/07) um mandado de prisão
contra o ex-presidente Evo Morales. A medida está relacionada aos bloqueios de estradas que se estenderam por mais de 50 dias em diferentes regiões do país, em protesto contra a gestão do presidente Rodrigo Paz.
A ordem de detenção foi emitida pelo procurador anticorrupção Brayan Melgar após uma denúncia protocolada no início de julho pelo Comitê Cívico Pro Santa Cruz, organização cívica conservadora do departamento que leva o mesmo nome.
Em resposta à nova ordem de prisão Morales afirmou que o governo Paz busca criminalizá-lo ao acusá-lo de supostos crimes de terrorismo e insurreição armada. Segundo ele, a acusação tem como objetivo “desviar a atenção” da crise econômica e social enfrentada pela Bolívia.
Morales argumenta que atual gestão abandonou a população, agravando problemas como a escassez de combustíveis, o aumento do custo de vida, a insegurança e o avanço do narcotráfico, além de proteger a corrupção.
“Não nos intimidarão. Continuaremos lutando junto ao povo, como sempre fizemos, com a convicção de que a Bolívia merece um caminho diferente: o da dignidade, da soberania, da justiça social e da recuperação da esperança para todas e todos”, disse por meio do seu perfil na rede social X.
Hoy el gobierno emite una nueva orden de aprehensión en mi contra, acusándome de supuestos delitos de terrorismo y alzamiento armado. Buscan responsabilizarnos de las movilizaciones sociales para ocultar el verdadero drama que vive Bolivia: una profunda crisis económica y social,…
— Evo Morales Ayma (@evoespueblo) July 29, 2026
Segundo a investigação, Morales é acusado dos crimes de insurreição armada contra a segurança e a soberania do Estado, terrorismo, atentado contra a segurança dos meios de transporte, associação criminosa, incitação pública à prática de crimes e atentado contra a segurança dos serviços públicos.
Os protestos duraram 53 dias e só diminuíram após a Central dos Trabalhadores da Bolívia (COB) concordar em iniciar um diálogo com o governo. No entanto, outras organizações, como a Federação Camponesa Túpac Katari de La Paz, optaram por continuar as manifestações.
Em resposta, o presidente Paz anunciou um estado de emergência para, como afirmou, “restaurar” a normalidade no país, o que efetivamente pôs fim aos protestos de rua.
Morales, inclusive, propôs a convocação de novas eleições dentro de 90 dias no país “para evitar mortes e feridos” diante dos protestos contra o governo de Rodrigo Paz. Durante seu programa semanal na Rádio Kawsachun Coca, o líder indígena disse que o atual mandatário “tem dois caminhos: uma decisão suicida, a militarização, ou (…) pacificação, transição e eleições em 90 dias”.
Ao lado de organizações camponesas, indígenas, trabalhistas e sociais da Bolívia, Morales apresentou uma denúncia internacional, alertando sobre a Lei 1740, que regulamenta os estados de emergência e foi promulgada pelo presidente Paz. Eles afirmaram que a lei autoriza operações conjuntas das forças militares e policiais que auxiliaram na repressão dos protestos sociais que exigiam a renúncia do mandatário.
Fonte: Opera Mundi


