Por Redação GPN
Diz o ditado popular que a Justiça que solta antes do tempo carrega nas mãos o sangue da próxima vítima. Pois em São José do Rio Preto, no próspero interior de São Paulo, a tragédia bateu à porta mais uma vez com requintes de crueldade e o mesmo enredo de horror. Um sujeito com a ficha manchada pelo sangue de um homicídio brutal em 2016 ganhou a liberdade condicional em janeiro deste ano — e não precisou de dez meses fora das grades para ceifar a vida da própria esposa, com quem se casara há pouco mais de trinta dias.
A vítima da vez foi Elizângela Aparecida Matheus, de 51 anos, morta a golpes de punhal dentro do próprio lar no bairro Parque da Cidadania. O algoz? Hiago Moreira Schnornberger, de 32 anos, um homicida frio e calculista que já trazia nas costas a condenação a 25 anos de prisão por ter brutalmente assassinado uma jovem ex-namorada em 2016.
A CENA DANTESCA VISUALIZADA PELA PRÓPRIA FILHA
Tudo aconteceu no calor de uma discussão de casal na tarde de quarta-feira. O clima ruiu, a agressividade transbordou e as lâminas entraram em cena. A tragédia ganha contornos ainda mais dramáticos pelo depoimento estarrecedor prestado à polícia: a filha adolescente de Elizângela flagrou com os próprios olhos o padrasto montado sobre a mãe, desferindo golpe atrás de golpe com uma faca afiada.
O grito de socorro cortou o bairro, mas não houve tempo de salvar a dona de casa. Elizângela morreu ali mesmo, no chão de sua residência, deixando para trás duas filhas e um rastro de dor e estarrecimento em toda a comunidade de Rio Preto.
A FUGA, O DISSIMULADO MENTIRAR E O MESMO “LERO-LERO” DE 2016
Após cometer a atrocidade, o criminoso meteu os pés na estrada e sumiu no mapa. A Polícia Civil de imediato entrou em campo e rastreou o paradeiro do homicida. Escondido na casa do pai, na vizinha cidade de Mirassol, a cerca de 15 quilômetros do local do crime, Hiago viu o cerco se fechar e decidiu se entregar na delegacia acompanhado da costumeira ladainha.
Na presença das autoridades, o sujeito repetiu cinicamente a mesma historinha deslavada que usou quando matou a primeira vítima dez anos atrás: alegou ter agido “sem querer”, em “legítima defesa” contra um suposto ataque de ciúmes da esposa. Segundo a versão furada do feminicida, Elizângela teria sacado o punhal da gaveta por ciúmes e ele, ao “se defender”, acabou cravando a lâmina no peito da mulher.
O enredo é uma cópia escarrada do que disse ao júri popular em 2016, quando amarrou os braços e as pernas da jovem Fernanda, de 18 anos, vendou seus olhos em uma mata em Pitangueiras e a chacinou a facadas — alegando na época que ela também o teria “atacado por ciúmes”.
JUSTIÇA FALHA OU CONDICIONAL ASSASSINA?
A delegada responsável pelo caso, Dálice Aparecida Ceron, confirmou que o suspeito teve a prisão preventiva decretada e já foi recolhido ao xadrez. Contudo, no seio da população e nas rodas de conversa do interior, a indignação é geral: como um indivíduo condenado a 25 anos por um homicídio qualificado, barbárico e premeditado ganha as ruas com apenas 10 anos cumpridos e a benesse da liberdade condicional?
Elizângela acreditou no recomeço, casou-se com o ex-presidiário há pouco mais de um mês e pagou com a própria vida a conta da ingenuidade humana e das lacunas da legislação penal brasileira.
O Portal GPN segue firme em sua linha editorial popular, cobrando rigor da Justiça, fiscalização das penas e denunciando sem rodeios a violência que devasta os lares e a paz de nossas famílias.


