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Enquanto a periferia de Marília padece com ruas esburacadas, falta de infraestrutura básica e abandono crônico, a administração municipal parece viver em uma realidade paralela, governando voltada exclusivamente para as regiões mais abastadas da cidade. A recente homologação da licitação para a construção do chamado “Parque da Criança”, uma obra faraônica orçada em impressionantes R$ 20,9 milhões em uma das áreas mais valorizadas do município, acendeu de vez o alerta da indignação popular. O investimento milionário escancara uma inversão de prioridades gritante: estende-se o tapete vermelho para os privilegiados da elite, enquanto a população mais pobre e humilde sofre horrores para ter o mínimo de dignidade no dia a dia.
Não basta “tiquetoquear” e manter as aparências nas redes sociais com vídeos bem produzidos de autopromoção. A gestão pública de uma cidade do porte de Marília exige sensibilidade real, pé no chão e um olhar atento voltado para os bairros dos trabalhadores, dos operários e daqueles que sustentam a economia do município com o suor de sua força de trabalho. Destinar mais de R$ 20 milhões para um mega projeto de lazer que irá privilegiar quem já goza de uma altíssima qualidade de vida é uma afronta direta aos moradores das vilas e dos distritos esquecidos, que convivem diariamente com a poeira, o esgoto e crateras no asfalto.
O contraste é violento e salta aos olhos de qualquer mariliense. De um lado, recursos públicos abundantes jorram para criar estruturas de primeiro mundo em bairros nobres; do outro, mães e pais de família enfrentam ônibus lotados e ruas destruídas pelo descaso municipal, onde o asfalto é uma lembrança distante. A periferia não precisa de promessas de campanha ou de cortinas de fumaça digitais; precisa de saneamento, asfalto de qualidade, postos de saúde funcionando e segurança para suas crianças.
Governar com justiça social significa investir onde a necessidade é urgente e imediata. A aplicação de cifras astronômicas em áreas nobres, em detrimento do sofrimento e das carências da gente humilde da periferia, deixa claro qual é a verdadeira prioridade desta gestão. A população de Marília, especialmente a que reside longe dos holofotes dos bairros fechados e condomínios de luxo, cobra e merece uma resposta que vá além das redes sociais: merece respeito e o fim da política de exclusão que castiga os trabalhadores da cidade.
Da Redação do Portal GPN


