A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (13), em parceria com o Ministério Público Federal, a Receita Federal e a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, a Operação Arena, para investigar um grupo empresarial suspeito de usar estrutura societária e financeira no exterior para ocultar a origem e o destino de recursos provenientes da exploração de jogos de azar e apostas esportivas.
São cumpridos 17 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 4ª Vara Federal da Paraíba, além de medidas de quebra de sigilo telemático e bancário e sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 1,1 bilhão. Os mandados são cumpridos na Paraíba (João Pessoa, Campina Grande e Serra Branca), em São Paulo (capital), no Rio de Janeiro (capital e Niterói), em Sergipe (Aracaju) e no Paraná (Curitiba).
Entenda as investigações
Segundo a Receita Federal, as investigações começaram em 2022 para apurar a atuação de pessoas físicas e jurídicas de Campina Grande (PB) na comercialização de créditos de jogos online formalmente sediados no exterior e na manutenção de sites de apostas esportivas no Brasil.
O grupo alegava estar constituído na Costa Rica e em Curaçao antes das mudanças na legislação que passaram a permitir a exploração de apostas esportivas no país, a partir de 2025 — mas, segundo apurado, toda a estrutura operacional, administrativa e decisória permanecia no Brasil. As investigações identificaram movimentações financeiras suspeitas superiores a R$ 2 bilhões entre 2022 e 2025, incompatíveis com a capacidade econômica declarada pelos envolvidos.
De acordo com a Receita Federal, o grupo teria obtido autorização da SPA usando recursos da própria atividade ilícita, em meio a indícios de sonegação tributária e lavagem de capitais. Participam da operação 39 auditores-fiscais e um analista-tributário do órgão. Os investigados podem responder por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros crimes contra o sistema financeiro nacional.
Segundo apuração da TV Cabo Branco, a sede da empresa de apostas PixBet em Campina Grande foi um dos endereços alvo de busca e apreensão. O advogado Nelson Wilians, fundador do escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV), também é alvo da operação, com mandado cumprido em sua residência em São Paulo por decisão da Justiça da Paraíba; sua esposa, a advogada Anne Wilians, sócia do escritório, também é citada como alvo. Wilians já havia sido alvo de operação da PF em setembro de 2025, quando obras de arte que poderiam pertencer a Portinari e Di Cavalcanti foram encontradas em endereços ligados a ele.
*Com informações de G1.
Fonte: Brasil de Fato


