OPINIÃO │A CULTURA DO MARTÍRIO: O ANALFABETISMO POLÍTICO E A PRISÃO VOTO-CENTRISTA DO BRASILEIRO

Compartilhe:

O Brasil carrega uma chaga histórica, profunda e dolorosa que se renova, como um ritual de autoflagelação, a cada ciclo eleitoral: o analfabetismo político de sua população. Não se trata aqui da incapacidade de ler ou escrever, mas da incapacidade, ou talvez da recusa, de compreender os mecanismos de poder, de fiscalizar e de discernir entre o salvador da pátria e o gestor público.

O resultado é trágico e repetitivo: o eleitorado, refém de sua própria ignorância e de uma memória curta, elege, pleito após pleito, aqueles que irão roubar não apenas o erário, mas o futuro da nação e, mais dolorosamente, o futuro de seus próprios filhos.

Essa tragédia não é um acidente de percurso; ela é cultural, cultivada por dezenas de anos de um populismo rasteiro que substituiu o debate de ideias pela adoração de personalidades.

Criou-se uma relação doentia, uma espécie de Síndrome de Estocolmo política, onde o eleitor, historicamente oprimido e desprovido de serviços básicos de qualidade, acaba por se ajoelhar diante do político que lhe aperta o gatilho da exploração.

O “perfil do candidato” que mais agrada não é o do ficha limpa, do técnico ou do planejador, mas o do “homem do povo” que, em um ato de teatralidade, “entrega-me a bolsa, o relógio, sua dignidade” em troca de promessas vazias e de uma efêmera sensação de pertencimento ou, pior, de uma vantagem pessoal imediata.

Essa “revanche da ignorância” cimenta um ciclo vicioso onde a falta de educação de qualidade impede o desenvolvimento da consciência política, e a falta de consciência política permite que os mesmos grupos políticos, os mesmos clãs e as mesmas práticas de corrupção permaneçam no poder, mantendo o sistema educacional e a população sob rédeas curtas.

O voto, que deveria ser a ferramenta de transformação, torna-se a corrente que prende o país ao seu passado de desigualdades e subdesenvolvimento. É inegável e profundamente desolador constatar que são raras as exceções de políticos honestos que conseguem furar essa bolha de oportunismo e clientelismo. O sistema é desenhado para expelir a integridade.

E agora, diante deste espelho que reflete nossa própria responsabilidade coletiva, o Portal GPN faz a pergunta que o cidadão mariliense e brasileiro precisa se fazer com urgência e honestidade brutal: como você, eleitor, votará em 2026 e 2028?

Continuará a ser cúmplice da sua própria ruína, entregando o destino do país e o futuro de sua família a figuras que só lembram da sua existência a cada quatro anos? Ou terá a coragem de quebrar as correntes da ignorância, do fanatismo e do voto de cabresto para, finalmente, exigir ética, competência e resultados?

A história nos julgará, não pelas promessas que ouvimos, mas pelos representantes que escolhemos. O futuro não se rouba; ele se constrói com um voto consciente e fiscalização constante.

Outras Notícias

Domínio Global Consultoria Web