O Brasil já viu esse filme — e sabe como termina.
A candidatura de Flávio Bolsonaro não surge como novidade, mas como continuidade direta de um projeto político que, ao longo dos últimos anos, demonstrou uma preocupante disposição de subordinar os interesses nacionais a potências estrangeiras. Filho de Jair Bolsonaro, Flávio não representa ruptura, mas a tentativa de perpetuar uma lógica que trata o Brasil como peça secundária no tabuleiro internacional.
As declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao alertar que um eventual governo Flávio poderia “entregar o Brasil aos Estados Unidos”, não surgem no vazio. Elas dialogam com sinais concretos: aproximações políticas acríticas, acenos a interesses externos em áreas estratégicas e uma visão de mundo que parece confundir parceria com submissão.
Não se trata aqui de negar a importância das relações internacionais — qualquer nação soberana precisa dialogar e negociar. O problema é quando esse diálogo se transforma em alinhamento automático, quando a defesa de recursos estratégicos dá lugar à sua abertura irrestrita, e quando o interesse nacional deixa de ser prioridade.
A retórica de Flávio Bolsonaro, ao ecoar o discurso do pai, reforça essa preocupação. Não há, até aqui, um projeto claro de fortalecimento da autonomia brasileira. Pelo contrário: o que se desenha é a continuidade de uma política externa que renuncia ao protagonismo e aceita, sem resistência, um papel de dependência.
A história cobra caro dos países que abrem mão de sua soberania. O Brasil, com sua dimensão continental, sua riqueza natural e seu peso geopolítico, não pode se comportar como coadjuvante — muito menos como um território disponível à exploração de interesses alheios.
Neste contexto, a candidatura de Flávio Bolsonaro levanta uma questão fundamental: queremos um Brasil que decide seu próprio destino ou um Brasil conduzido por agendas externas?
O debate não é apenas eleitoral. É, acima de tudo, civilizatório.


