Uma ação rápida da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro desmantelou uma fábrica clandestina de anabolizantes que funcionava dentro de um imóvel residencial no município de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Durante a ofensiva policial, realizada por agentes da Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) com o apoio da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-Cap), um homem e uma mulher foram presos em flagrante.
No local, os investigadores encontraram uma vasta quantidade de substâncias químicas de alto risco. Entre as drogas apreendidas estavam frascos e insumos de stanozolol, enantato e trembolona — compostos frequentemente comercializados de forma ilegal para fins estéticos e de ganho muscular sem qualquer acompanhamento médico. Além das substâncias, a polícia apreendeu balanças de precisão, frascos de vidro, embalagens com rótulos falsificados e um equipamento de autoclave, utilizado no processo de esterilização.
Manual de produção e perigo à saúde pública
Um dos detalhes que mais chamou a atenção dos policiais foi a apreensão de um caderno de anotações que servia como guia artesanal para o laboratório clandestino. O bloco continha receitas detalhadas sobre o manuseio dos químicos, proporções exatas de ingredientes e instruções rigorosas de aquecimento, indicando orientações como “temperatura máxima: 90º”. Conforme apurado pelas investigações, toda a produção era distribuída ilegalmente para compradores fora do Estado do Rio de Janeiro.
Especialistas alertam que o consumo de anabolizantes clandestinos impõe graves ameaças à saúde humana. Além das reações adversas já conhecidas do uso indevido de hormônios esteroides — como lesões hepáticas severas, hipertensão, falência renal e alto risco de infarto —, produtos fabricados sem rigor sanitário carregam riscos astronômicos de contaminação bacteriana, dosagens erradas e envenenamento químico devido à manipulação caseira desprovida de controle de qualidade.
Os dois presos foram autuados por crime contra a saúde pública e permanecem à disposição da Justiça. Todo o material apreendido no imóvel foi recolhido e encaminhado para a perícia técnica da Polícia Civil, que dará continuidade às investigações para mapear a rede de distribuição dos produtos ilegais.


