Polícia do Chile prende último condenado pelo assassinato de Víctor Jara

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O Ministério da Justiça do Chile confirmou neste domingo (27/07) a detenção do ex-militar Nelson Haase Mazzei, coronel reformado do Exército que participou da execução do cantor e compositor chileno Víctor Jara, um dos primeiros executados políticos da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

A condenação de Haase Mazzei foi anunciada pela Suprema Corte chilena em 2023, mas desde então ele se encontrava foragido da Justiça. Segundo as autoridades do país, ele se encontrava em um sítio no povoado rural de Puyehue, no extremo sul do país.

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A sentença do ex-militar estabelece pena de 25 anos e dois dias de prisão pelo assassinato de Jara e pelo sequestro, tortura e homicídio de Littré Quiroga Carvajal, advogado comunista que foi Diretor Geral de Presídios durante o governo de Salvador Allende (1970-1973).

Víctor Jara foi um dos mais importantes artistas populares do Chile e conhecido por ser um grande apoiador da Unidade Popular, o projeto de socialismo democrático iniciado por Allende no país andino durante os anos 70.

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O músico foi preso no dia em que o golpe foi cometido, em 11 de setembro de 1973, mantido sob tortura durante quatro dias e assassinado em 16 de setembro, em um campo de concentração improvisado no então chamado Estádio Chile – local que leva seu nome, se chama Estádio Víctor Jara.

Em comunicado, a Fundação Víctor Jara afirmou que “é com satisfação que tomamos conhecimento da notícia, mas é importante salientar que, ao acontecer meio século depois dos assassinatos de Víctor e Littré, é difícil considerar isso como ‘justiça’”.

A Fundação Víctor Jara é uma entidade criada e administrada por sua viúva, a dançarina e ativista britânica Joan Jara, que também trabalha oferecendo assistência jurídica em outros casos de violações aos direitos humanos no Chile, não apenas os cometidos durante a ditadura de Pinochet.

Cantor e compositor Víctor Jara foi um dos maiores apoiadores se Salvador Allende no Chile
Fundação Víctor Jara

Outros condenados

Haase Mazzei foi o último dos condenados pelo crime de Jara a ser capturado pela Justiça chilena. Outras seis pessoas foram sentenciadas pelo mesmo caso, todos ex-agentes policiais e militares que promoveram sequestros e execuções durante os primeiros dias após o golpe de Estado que instalou no poder a junta militar comandada por Pinochet.

Entre os demais condenados estão o caso de Hernán Chacón Soto, que se suicidou quando agentes policiais foram à sua casa para cumprir a sentença.

Outro dos casos destacados é o de Pedro Barrientos, apontado nas investigações como o autor do disparo final contra o músico, que foi encarcerado em 2023 após ser deportado dos Estados Unidos, onde se manteve em liberdade por 34 anos.



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