Prefeito no Maranhão ameaça interromper serviços públicos após derrota de Flávio

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Prefeito de Campestre do Maranhão (MA), Fernando Oliveira da Silva, conhecido como Fernando Bermuda (Republicanos), afirmou que serviços públicos do município podem ser reduzidos ou interrompidos após a derrota eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL) e de outros candidatos da direita apoiados por ele.

Em vídeo divulgado em grupos de mensagem após as eleições, o prefeito responsabilizou eleitores que votaram em candidatos de oposição por possíveis problemas na prestação de serviços municipais. No vídeo, Bermuda critica a população e diz que o povo “se contentou com um copo d’água”, enquanto “tinha um poço só pra ela depois da montanha”.

“A população que votou nos outros [candidatos], quando chegar no hospital, lembre-se: se faltar algum recurso, faltar remédio, médico, algum buraco na rua, o que faltar de serviços públicos, foi o seu voto que contribuiu para isso”, completou.

Bermuda também declarou que a saúde seria uma das áreas mais afetadas. Segundo ele, o município teria perdido investimentos de deputados aliados e não teria recursos suficientes para manter a estrutura atual.

“Show de aniversário da cidade não terá, nem da virada do ano, porque não tem recurso. […] A parte da saúde é onde será mais afetada, porque o recurso que vem não dá para cobrir o que eu faço”, disse.

A declaração surge após o resultado das eleições de 2026, em que Lula (PT) foi reeleito. Entre os políticos apoiados pelo prefeito, Pedro Lucas Fernandes (União Brasil) foi reeleito deputado federal pelo Maranhão com 188.853 votos, enquanto Paulo Casé Fernandes (União Brasil) foi eleito deputado estadual com 95.608 votos, o que contrasta com a afirmação de apoio político dada pelo prefeito.

Prefeitura nega que vá suspender atendimentos

Após a repercussão das declarações, a Prefeitura de Campestre do Maranhão afirmou que não pretende suspender os atendimentos especializados. Em nota, a administração disse que avalia uma “readequação temporária” da oferta de serviços devido à disponibilidade orçamentária e às “incertezas sobre os recursos previstos para 2027”.

A prefeitura afirma que “é importante destacar que os recursos federais destinados à Média e Alta Complexidade (MAC) ainda são insuficientes para atender integralmente às necessidades do município, tornando necessária a complementação por meio de emendas parlamentares e outras fontes de financiamento”.

No entanto, a cidade de Campestre do Maranhão recebeu R$ 41,4 milhões diretamente nos cofres públicos em 2026 para serviços e administração, além de R$ 17,71 milhões pagos diretamente à população por programas sociais.

Ameaça vazia

De acordo com o artigo 37 da Constituição brasileira, prefeitos não podem suspender ou extinguir serviços públicos essenciais por motivação política ou retaliação eleitoral. A administração pública, inclusive a municipal, deve obedecer aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Isso significa que a prefeitura não pode selecionar ou prejudicar cidadãos com base em suas preferências políticas.

No caso específico da saúde, a Constituição é ainda mais direta. O artigo 196 estabelece que “a saúde é direito de todos e dever do Estado”, garantindo acesso universal e igualitário às ações e aos serviços de promoção, proteção e recuperação da saúde. O artigo 198 determina ainda que o atendimento pelo SUS deve ser integral.

Prefeito já havia ameaçado servidores

Em agosto, durante a pré-campanha eleitoral, Bermuda havia ameaçado demitir servidores municipais que não apoiassem Flávio nas urnas. As mensagens foram divulgadas e, posteriormente, o então partido do prefeito, o PSB, que fez parte da chapa do presidente Lula, entendeu as atitudes do prefeito como uma “grave infidelidade partidária” e anunciou sua expulsão.

As mensagens teriam sido enviadas a servidores em um grupo de WhatsApp, junto a um convite para culto na Assembleia de Deus. “Todos Flávio Bolsonaro. Quem votar em Lula, após a eleição, tá na rua”, dizia uma delas, revelada pelo Metrópoles. Além disso, uma música que circulou na cidade associava o voto como condição de permanência no emprego, dizendo “já vou avisar, quem não apoiar o Flávio, já pode arrumar a mala e ir pra obra”.

 





Fonte: ICL Notícias

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