Em uma segunda-feira, dia 06 de Abril de 2026, Marília perdeu João Raspante. Ele tinha 12 anos, diagnosticado com transtorno do Espectro Autista, nível 3 de suporte, era não verbal. Desapareceu de sua casa, após sair sem rumo, em um fim de tarde e foi encontrado sem vida às margens de uma lagoa no Bairro Nova Marília 4.
Mas a morte de João não começou na segunda-feira. Para a mãe dele e para milhares de mães atípicas, o luto começa muito antes. Começa no diagnóstico. No medo que não desliga. Na vigilância que não tira folga, pois ser mãe atípica é viver em estado de alerta.
É mapear cada poça, cada portão, cada rua antes de sair de casa. É saber que seu filho não vai gritar por socorro. Não vai entender o perigo. Não vai voltar se você chamar.
É desfalecer um pouco por dia, de cansaço e de culpa antecipada.
E quando o impensável acontece, a sociedade ainda pergunta: “onde estava a mãe?”.
João não fugiu. O cérebro dele buscou alívio.
Especialistas chamam de “elopement”. A água acalma a sobrecarga sensorial. Não é desobediência. É a neurodiversidade. É um risco conhecido, mas ainda invisível para as políticas públicas.
O que a morte de João nos faz enxergar?
- Mãe atípica não é negligente. É exausta. Ela carrega sozinha um cuidado que deveria ser da rede toda: saúde, escola, segurança, vizinhos, cidade.
- Falta protocolo, sobra tragédia. Muitos municípios, não tem um cadastro de pessoas com TEA para buscas rápidas. Informação salva. Demora mata.
- Julgamento não protege criança. Acolhimento, sim. No lugar do “foi descuido”, que tal um “como eu posso ajudar?”.
João se foi. Mas a dor da mãe dele fica como pergunta para todos nós: quantas mães mais vão enterrar seus filhos?
Vivemos em uma sociedade em que a segurança de uma criança autista deveria ser uma responsabilidade coletiva!
🙏Se você encontrar uma criança sozinha que não responde, não grite, não puxe. Proteja. Acione 190 ou 193.
Se você conhece uma mãe atípica, que precisa de apoio, não dê conselho. Dê rede. Um “estou aqui” sustenta mais que mil “sinto muito”.
🤍À família de João, todo o respeito e silêncio.
Deixo aqui algumas informações caso você conheça alguma mãe atípica que está passando por uma situação desafiadora:
- CAPS Infantil de Marília |
- CVV – 188, 24h por dia.
- Link para participar do Grupo de Apoio Mães em Luto, até o reencontro:
https://chat.whatsapp.com/C8CJg9VWZgKIK5ul9kaIGq - Link para participar do Grupo de Alinhamento Emocional do Projeto Prematurinho (mães que vivenciam desafios na maternidade):https://chat.whatsapp.com/KMTr8J68xoKGcg2k8AIwWa
Com carinho, Daiane Katiuscia – Idealizadora do Projeto Prematurinho 💜



