O interior paulista, incluindo Marília e cidades vizinhas como Assis, Tupã e Presidente Prudente, segue entre as áreas mais críticas do estado em relação à violência contra mulheres. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o primeiro semestre de 2026 registrou aumento de 28% nos feminicídios na região centro-oeste do estado.
🔹 Números regionais
| Localidade | Feminicídios (jan–jun 2026) | Variação vs. 2025 | Observações |
|---|---|---|---|
| Marília | 6 casos | +50% | Maioria dos crimes cometidos por parceiros dentro de casa. |
| Presidente Prudente | 9 casos | +28% | Região com maior índice proporcional à população feminina. |
| Assis | 4 casos | +33% | Todos os casos envolveram histórico de violência doméstica. |
| Tupã | 3 casos | +25% | Falta de delegacia especializada agrava subnotificação. |
| Ourinhos | 5 casos | +20% | Crescimento de denúncias de ameaças e agressões. |
Perfil das vítimas e dos agressores
- Faixa etária predominante: 25 a 45 anos.
- Local do crime: 82% ocorreram dentro da residência.
- Relação com o agressor: 9 em cada 10 casos envolvem companheiros ou ex-companheiros.
- Motivações: ciúmes, separação recente e histórico de violência doméstica.
Estrutura de proteção em Marília
- Delegacia de Defesa da Mulher (DDM): atende cerca de 300 ocorrências mensais, mas enfrenta déficit de pessoal.
- Casa da Mulher Mariliense: oferece acolhimento psicológico e jurídico, mas não funciona 24h.
- Rede de apoio: ONGs e grupos comunitários têm atuado em campanhas de conscientização.
Fragilidade de políticas públicas
O aumento dos feminicídios em Marília e região reflete a fragilidade das políticas públicas locais. A ausência de delegacias especializadas em cidades menores e a falta de plantão 24h para atendimento emergencial deixam mulheres desprotegidas.
A resposta precisa ser integrada: mais recursos para a DDM, fortalecimento das redes de acolhimento e campanhas permanentes de prevenção. A violência contra mulheres não é um problema isolado — é um fenômeno estrutural que exige ação contínua e vigilância social.
Histórico de Feminicídios em Marília e Região (2018–2026)
Os dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) e levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que Marília e região seguem uma tendência preocupante: aumento contínuo dos feminicídios ao longo da última década, com oscilações pontuais, mas sem queda estrutural.
Entre 2018 e 2026, os feminicídios em São Paulo cresceram mais de 200%, e Marília e região seguiram essa tendência, com aumento constante de casos, especialmente no interior. Em 2026, o estado bateu recorde histórico, e cidades médias como Marília registraram alta significativa, refletindo a fragilidade da rede de proteção.
Evolução Histórica dos Feminicídios em São Paulo (2018–2026)
| Ano | Casos registrados (jan–abr) | Observações |
|---|---|---|
| 2018 | 35 | Início da série histórica; menor número registrado. |
| 2019 | 42 | Crescimento inicial após tipificação mais clara do crime. |
| 2020 | 47 | Alta moderada; pandemia agravou violência doméstica. |
| 2021 | 53 | Expansão contínua; interior já concentrava maioria dos casos. |
| 2022 | 60 | Aumento de 13% em relação a 2021. |
| 2023 | 80 | Crescimento de 50,9% em dois anos. |
| 2024 | 91 | Segundo maior número da série; interior em destaque. |
| 2025 | 95 | Estabilidade relativa, mas interior manteve alta. |
| 2026 | 107 | Recorde histórico; aumento de 205% desde 2018. |
Marília e Região
- Marília: média de 5 a 7 feminicídios por ano desde 2020; em 2026 foram 6 casos até julho, todos cometidos por parceiros ou ex-companheiros.
- Presidente Prudente: crescimento contínuo, com 9 casos em 2026, tornando-se uma das cidades mais críticas do oeste paulista.
- Assis e Ourinhos: registraram entre 3 e 5 casos anuais, sempre ligados à violência doméstica.
- Tendência regional: o interior concentra mais de 70% dos feminicídios do estado, revelando vulnerabilidade maior em cidades médias e pequenas.
Fatores Estruturais
- Local do crime: mais de 80% dentro da residência.
- Perfil das vítimas: mulheres entre 25 e 45 anos, em relações afetivas marcadas por ciúmes e controle.
- Rede de proteção insuficiente: falta de delegacias especializadas em cidades menores e ausência de atendimento 24h em Marília.
- Cultura de impunidade: medidas protetivas pouco fiscalizadas e baixa responsabilização dos agressores.
Dados Históricos apontam para fenômeno estrutural
Os dados históricos mostram que o feminicídio deixou de ser exceção e se tornou fenômeno estrutural em São Paulo, especialmente no interior. Marília e região refletem esse padrão, com crescimento constante e rede de proteção insuficiente.
É urgente fortalecer a Delegacia da Mulher, ampliar casas de acolhimento e implementar políticas locais de prevenção. Sem ação firme, a curva continuará ascendente, e cada estatística representará uma vida perdida.
Casos Emblemáticos de Feminicídio em Marília e Região
Os números frios das estatísticas ganham rosto e história quando analisamos casos emblemáticos ocorridos em Marília e cidades vizinhas. Eles revelam padrões recorrentes: violência doméstica, ciúmes, separação recente e ausência de proteção efetiva.
Casos marcantes em Marília
- Caso da jovem de 27 anos (2022): assassinada pelo ex-companheiro dentro de casa, após descumprimento de medida protetiva. O crime expôs a fragilidade da fiscalização judicial.
- Mãe de família de 34 anos (2024): morta a facadas pelo marido, em frente aos filhos. O caso gerou comoção e protestos por mais estrutura na Delegacia da Mulher.
- Estudante universitária (2025): vítima de feminicídio após término de relacionamento. O agressor foi preso em flagrante, mas o episódio reforçou a vulnerabilidade das jovens em relações abusivas.
🔹 Região Oeste Paulista
- Presidente Prudente (2023): mulher de 40 anos assassinada pelo companheiro dentro da própria residência. O caso foi emblemático por ocorrer em bairro central e expor a falta de políticas de prevenção.
- Assis (2024): feminicídio de uma adolescente de 17 anos, morta pelo namorado. O episódio mobilizou escolas e ONGs locais em campanhas de conscientização.
- Ourinhos (2026): empresária de 45 anos morta pelo ex-marido, que não aceitava a separação. O caso ganhou repercussão estadual e evidenciou a necessidade de apoio psicológico às vítimas em processo de divórcio.
Padrões revelados
- Local do crime: maioria dentro da residência.
- Perfil do agressor: companheiros ou ex-companheiros, muitas vezes com histórico de violência prévia.
- Falhas institucionais: medidas protetivas descumpridas, ausência de atendimento emergencial 24h e falta de delegacias especializadas em cidades menores.
Cultura da violência
Cada caso emblemático mostra que o feminicídio não é apenas estatística: é a consequência de uma rede de proteção insuficiente e de uma cultura que ainda tolera a violência contra mulheres. Em Marília e região, a repetição desses padrões exige políticas públicas locais mais firmes e vigilância constante da sociedade.


