Senado do Paraguai rejeita adiamento e avança com impeachment de Santiago Peña

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O Senado do Paraguai rejeitou nesta sexta-feira (6) o pedido do presidente Santiago Peña para adiar por 72 horas o julgamento de seu processo de impeachment. A solicitação recebeu 39 votos contrários, três favoráveis e duas abstenções, em mais um revés para o chefe do Executivo, pressionado pela crise bancária que atingiu o país.

Na mesma sessão, os senadores aprovaram por unanimidade a admissão das provas apresentadas pela comissão de acusação da Câmara dos Deputados. Foram 41 votos favoráveis e nenhum contrário, permitindo que documentos, relatórios e outros registros passem a integrar formalmente o processo.

Os parlamentares também rejeitaram as objeções preliminares apresentadas pela defesa, que questionava a validade das provas e o tempo disponível para preparar os argumentos. Com isso, o julgamento avança para as próximas etapas de análise e manifestação das partes.

Peña é acusado por parlamentares da oposição de responsabilidade política na crise do Ueno Bank, instituição financeira que entrou em liquidação após apresentar problemas de solvência. O presidente foi acionista do grupo controlador do banco até março de 2025.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, que também foi sócio do Ueno Bank até 2025 • Brasília, DF 16/05/2023 José Cruz/ Agência Brasil
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, que também foi sócio do Ueno Bank até 2025 • José Cruz/ Agência Brasil

Renúncia e impeachment avançam paralelamente

Na quinta-feira (5), Peña apresentou uma carta de renúncia à Presidência, mas o pedido ainda depende de aceitação pelo Congresso paraguaio. Enquanto não houver uma decisão, o processo de impeachment continua em andamento.

A defesa do presidente, representada pelo advogado Adolfo Ferreiro, classificou o procedimento como irregular e argumentou que o prazo concedido é insuficiente para a preparação adequada dos argumentos.

Durante a sessão desta sexta-feira, o advogado afirmou que poderá recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos caso o impeachment seja aprovado.

O presidente do Congresso, Basilio Núñez, já havia indicado que o julgamento não seria concluído em apenas um dia. O procedimento foi dividido em cinco fases, das quais a sessão desta sexta representou a segunda etapa.

Nas próximas fases, os senadores deverão examinar as provas da acusação e da defesa, ouvir os argumentos finais e votar sobre a permanência do presidente no cargo.

Paraguai, bancos, manifestações
Depositantes do Banco Ueno protestam em frente a policiais durante uma manifestação após a intervenção do Banco Central do Paraguai no banco, em Assunção, em 3 de novembro de 2026. Foto: AFP

Afastamento exige apoio de dois terços do Senado

Para que Peña seja definitivamente afastado, serão necessários pelo menos 30 votos entre os 45 integrantes do Senado, o equivalente a dois terços da Casa.

Se o impeachment for aprovado, o vice-presidente Pedro Alliana assumirá a Presidência e deverá concluir o mandato, previsto para terminar em agosto de 2028.

A condenação também impediria Peña de receber a condição de senador vitalício, prerrogativa prevista para ex-presidentes paraguaios que não tenham sido condenados em julgamento político.

Caso o processo não resulte em condenação, o desfecho de sua permanência no cargo ainda dependerá da análise do pedido de renúncia apresentado ao Congresso.

Quebra do Ueno Bank desencadeou crise política

O processo de impeachment foi aberto após a quebra do Ueno Bank, instituição controlada pelo Grupo Vázquez, que tinha cerca de 3 milhões de clientes e administrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos.

Entre os recursos mantidos no banco estavam valores do Instituto de Previdência Social, responsável pelo sistema estatal de aposentadorias do Paraguai.

A instituição encerrou suas atividades na terça-feira (3), após o Banco Central paraguaio iniciar o processo de liquidação diante da insuficiência de recursos para cumprir suas obrigações financeiras.

A crise provocou protestos e ampliou a pressão sobre o governo. Parlamentares da oposição acusam Peña de possível conflito de interesses, favorecimento ao banco e irregularidades na gestão de recursos previdenciários.

As suspeitas também envolvem a atuação do Banco Central, acusado pelos opositores de ter encoberto problemas financeiros da instituição.

O histórico de participação societária de Peña no grupo controlador do Ueno Bank tornou-se um dos principais pontos de questionamento político, embora as acusações ainda estejam sendo examinadas no processo de impeachment.





Fonte: ICL Notícias

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